Brasília, 23 (AE)- O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou hoje, em seu programa semanal de rádio, a criação de uma "força-tarefa" para combater o narcotráfico. Esta força-tarefa reunirá representantes de vários órgãos, como Polícia Federal, Secretaria da Receita Federal, ministérios militares, entre outros, previamente selecionados, que formarão uma espécie de agentes de autoridade nacional, que vão impedir que a droga chegue ao Brasil e, se isso não for possível, evitar que ela fique no País. O governo quer ainda que os Estados montem as suas próprias forças-tarefas para auxiliar nesse trabalho, que deve ser feito com agilidade, presteza, prontidão e eficácia nas ações de repressão.
Em entrevista, o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, anunciou para o dia 31 de março, no anexo do Planalto, uma reunião para operacionalizar o sistema nacional antidrogas, oficializando a criação da força-tarefa. A principal área de preocupação do governo, no combate ao narcotráfico, vai da região de Tabatinga, no Amazonas, até Cruzeiro do Sul, no Acre. Também são consideradas áreas alvo de atuação da força-tarefa - de preocupação permanente - os Estados de Rondônia, Mato Grosso do Sul, além das fronteiras do Paraná e Rio Grande do Sul.
Além da ações permanentes, serão realizadas operações emergenciais, quando alguma denúncia chegar ao governo e a situação exigir agilidade e rapidez do poder federal, em relação a apreensão de um determinado contrabando ou carregamento de drogas. Por isso, de acordo com secretário nacional antidrogas, Walter Maierovitch, é preciso que as pessoas que irão trabalhar na força-tarefa sejam escolhidas "a dedo", após checagem do passado e da integridade delas, para evitar que sejam contaminadas pela corrupção.
Ele defendeu ainda a fiscalização de todos esses integrantes da força-tarefa e aproveitou para colocar suas contas bancárias à disposição de quem quiser, para dar o exemplo. Maierovich lembrou que o crime transnacional movimenta de 3 a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e que, portanto, essa preocupação com a corrupção é fundamental. O general Cardoso, por sua vez, acentuou que o sistema antidrogas vai trabalhar em nível estratégico, com auxílio dos diferentes setores de inteligência.
"Não estamos correndo atrás de traficante de morro ou de esquina", avisou o general, ao salientar que o que se quer é que não existam provas mal colhidas, flagrantes mal lavrados, que favoreçam os bandidos. Ele quer que tudo seja feito para facilitar a preparação da ação judicial. "Não temos ilusão de que vamos eliminar por completo o narcotráfico", reconheceu o general ao informar que o objetivo principal é controlar esse movimento no País .
"A força-tarefa passará a combater, sem tréguas, o tráfico de drogas pesadas, as drogas de uso proibido", disse Fernando Henrique, depois de explicar que a força-tarefa será composta por cerca de 500 representantes de vários órgãos como Polícia Federal, Exército, Marinha, Aeronáutica, Receita Federal e superintendências de portos e aeroportos, que serão treinados e equipados para reduzir a oferta de drogas.
"É a resposta que o nosso País está dando contra o crime organizado e contra as drogas", avisou o presidente, após ressaltar que "os assaltos, sequestros e atrocidades rotineiras no mundo dos narcotraficantes, serão combatidas com técnicas avançadas e sem tolerância".
Com a criação da força-tarefa, a PF deixará de ser o braço operacional do governo no combate ao narcotráfico. Esse papel passará a ser exercido pela Secretaria Nacional Antidrogas e a PF terá que se submeter à política definida pela Casa Militar da Presidência da República. A nova política nacional antidrogas integrará vários órgãos federais na repressão ao tráfico e introduzindo a prevenção e o tratamento de dependente.
O general Cardoso limitou-se a informar que a Polícia Federal, pela Constituição, não tem o monopólio do combate às drogas. A PF, justificou, tem o papel de polícia judiciária da União, para atuar na prevenção e repressão ao tráfico, sem prejuízo de outros órgãos que trabalham. "O objetivo da criação dos sistema antidrogas é elevar o nível de coordenação do combate ao narcotráfico", prosseguiu o general, lembrando que o órgão centralizador da política será a Casa Militar.

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