O governo enfrentará um desafio, no período de Natal, lançando uma campanha ousada. No dia 7 de setembro, o presidente Fernando Henrique Cardoso deverá anunciar o ‘‘Natal sem Mortes’’, uma iniciativa para tentar acabar com a violência nas festas de final de ano. A campanha, encabeçada pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, está prevista para começar três dias antes do Natal e se estender até os primeiros dias do próximo ano.
‘‘É uma campanha ousada’’, reconhece o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori. ‘‘Mas alguém tem de tomar essa iniciativa.’ Gregori sonha com um dia de Natal sem mortes, sem acidentes de trânsito e sem nenhuma briga que possa resultar em vítimas fatais. ‘‘Se o governo e a sociedade derem-se as mãos, a violência será bem menor.’
A campanha ainda está sendo articulada com vários segmentos da sociedade, mas com certeza reunirá diversas entidades que já participam de projetos contra a violência, como o Movimento Viva Rio e o Núcleo de Estudos da Violência, da Universidade de São Paulo (USP). Gregori também deverá mobilizar o Exército, Secretarias Estaduais de Segurança Pública, Polícia Militar e a Comunidade Solidária.
ARMAS _ Uma das idéias do secretário é realizar uma grande campanha nos dias que antecedem o Natal para recolher armas. Além disso, o governo poderá trocar, principalmente nos bairros mais pobres das grandes cidades, onde a violência é maior - como já mostraram os mapas da violência urbana feitos pelo Ministério da Justiça - armas por cestas natalinas. Esse programa foi feito com sucesso em uma das regiões mais pobres de Rio Branco, pelo presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Gersino José da Silva. Ele trocou armas por comida e a violência diminuiu em torno de 95%.
‘‘Nos vários estados existem bons exemplos de combate à violência, e por isso estamos esperando que essas iniciativas cheguem até nós’’, diz Gregori. A campanha será lançada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 7 de setembro, quando o presidente deverá fazer um balanço sobre o desenvolvimento do Programa Nacional de Direitos Humanos.

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