FHC anuncia 4ª-feira reforma ministerial
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Isabel Braga e Lige Albuquerque 
Brasília, 09 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciará até quarta-feira (14) as mudanças no ministério e as diretrizes do que está chamando de "nova etapa" do segundo governo.
A informação foi dada hoje por Fernando Henrique ao líder no Congresso, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), pouco antes de embarcar para São Paulo. De acordo com o líder, o presidente não mencionou nomes e apenas confirmou a intenção de enxugamento da máquina pública. "No dia seguinte, o governo amanhecerá menor, mais enxuto", disse Fernando Henrique, segundo o líder do governo no Congresso.
O líder destacou que o presidente tem até um roteiro para este pronunciamento. "Ele dirá: Meu governo foi atrasado pela crise econômica e tive de reafirmar o combate à inflação e a luta pela moeda forte; agora, vou cumprir as promessas de campanha, de crescimento econômico com geração de empregos", contou Virgílio Neto. Além disso, a "inauguração" do segundo mandato também inclui o "novo estilo" do presidente, de responder a críticas no ato e tomar decisões mais rápidas, como no caso da demissão da diretoria do Banespa.
O líder garante que o presidente não irá ceder às pressões dos diferentes líderes dos partidos que apóiam o governo para manter ou tirar ministros e secretários. "Ele irá agir de maneira bem presidencialista", avisou o líder. Entre as mudanças no ministério, está a extinção de algumas secretarias criadas por Fernando Henrique no início do segundo mandato.
A justificativa é a superposição de tarefas. Segundo Virgílio Neto, um exemplo de superposição de órgãos no governo é o da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, dirigida pelo secretário Sérgio Cutolo. "Ela trata de saneamento, assim como a Caixa (Econômica Federal)", disse. Além dessa secretaria, outra que deve estar na mira do presidente é a de Políticas Regionais, ocupada pelo peemedebista Ovídio de ¶ngelis.
Para Virgílio Neto, o presidente saberá manter o equilíbrio necessário entre os partidos da base aliada nas mudanças que anunciará.
"Não vejo no presidente a intenção de desbaratar a frente que o apóia, agora que está saindo da crise econômica", disse, respondendo à pergunta sobre se os tucanos estariam tentando eliminar os peemedebistas do governo. "O presidente vai levar em conta todos os partidos, inclusive o PPB; ele preza muito a figura do Dornelles (Francisco Dornelles, ministro do Trabalho)."
O líder do governo classifica as divergências da base política em relação às mudanças ministeriais como algo normal. Ele fez uma comparação com governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que não conseguiu construir uma ampla base de apoio e não evitou o impeachment, em 1992. "É melhor ter dificuldades gerenciando uma maioria do que ter dificuldades de acesso no parlamento", argumentou.
Para Virgílio Neto, a única alternativa para os partidos da base de sustentação é confiar no êxito do governo. "Ou mantemos o poder em conjunto ou perdemos o poder em conjunto", disse. "Está mais do que na hora de os partidos compreenderem isso, apoiando o presidente e não o pressionando."


