FHC ameaça acionar AGU se nome for usado em campanha do PFL
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Isabel Braga e Tânia Monteiro 
Brasília, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso ameaçou acionar a Advocacia-Geral da União (AGU), se o nome dele for usado na campanha publicitária do PFL em favor do reajuste do salário mínimo para US$ 100.
Fernando Henrique reagiu, por intermédio do porta-voz Georges Lamazire, ao uso do nome dele em cartazes do PFL. O presidente qualificou os cartazes como "protótipos de peças publicitárias" e avisou que a AGU agirá, se eles forem usados em algum tipo de campanha.
Segundo Lamazire, Fernando Henrique não autorizou o uso do nome e da assinatura dele na elaboração dos cartazes. "O presidente não autorizou, ele não tinha conhecimento, não", afirmou o porta-voz. "Na verdade, não é a assinatura do presidente neste projeto de peça publicitária e, evidentemente, se vier a ser usado o nome do presidente, aí, caberá estudar isso do ponto de vista jurídico", acrescentou. "Em havendo o uso do nome do presidente em algum tipo de campanha, será necessário que a AGU examine as implicações legais disso", insistiu. Os cartazes que trazem o desenho de dois cheques, assinados supostamente por Fernando Henrique, e com o nome completo dele embaixo da linha de assinatura foram apresentados hoje à imprensa pela cúpula do PFL. Além do autor da proposta do reajuste do mínimo para US$ 100, deputado Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP), posaram para fotos, segurando os cartazes, o vice-presidente nacional do partido, senador José Jorge (PE), e o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Foram impressos 5 mil exemplares do cartaz, pagos pela Força Sindical. "Admiro-me do presidente ter perdido o humor com isso", reagiu Medeiros. "Ele não tem de ficar com raiva por causa de um salário mínimo de US$ 100 e sim de quem recebe aposentadorias de R$ 12 mil sem nunca ter contribuído para isso", ironizou.
Medeiros afirmou ainda que, se Fernando Henrique se irritar com isso, terá de abrir processos contra todos os chargistas do País. "Não é a assinatura do presidente, é algo estilizado, apenas para chamar a atenção", justificou.
Essa é a segunda reação do presidente nos últimos dias à investida do PFL em patrocinar uma campanha pelo aumento do mínimo. Quando a idéia foi divulgada, Fernando Henrique evitou comentá-la, classificando a discussão do aumento do mínimo como "prematura". Ministros criticaram a proposta, até mesmo os ligados ao PFL, como o da Previdência Social, Waldeck Ornélas.


