FHC alerta Paraguai: "Mercosul está comprometido com a democracia"
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de março de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 24 (AE) - O presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso mandou nesta quarta-feira (24) um recado às autoridades paraguaias ao advertir que a permanência no Mercosul está condicionada à manutenção da democracia no País. "O Mercosul tem compromisso inarredável com a questão da democracia", avisou o presidente, esclarecendo que, na medida em que as regras da eleição e do estado de direito estejam sendo respeitadas, o problema não tem relação com outros países.
"É uma questão interna do Paraguai", comentou ele ao lembrar que, uma vez as regras sendo respeitadas, não se tem de entrar na política de cada País.
"Se isso for desrespeitado, o Mercosul não aceita regimes não democráticos", prosseguiu o presidente. Ele informou que tem conversado rotineiramente com os demais presidentes dos países que integram o Mercosul - Júlio Maria Sanguinetti, do Uruguai, e Carlos Menem, da Argentina - sobre os problemas que poderão surgir com o assassinato do vice-presidente paraguaio Luis María Argaña, mas não revelou o teor das conversas.
"A questão do Mercosul é a questão da democracia", insistiu Fernando Henrique, que evitou comentar detalhes sobre o pedido de impeachment do seu colega do Paraguai, Raúl Cubas. "Preciso me informar melhor", observou.
No início da tarde, o ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia telefonou para o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Guido di Tella, e para a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright.
Na conversa, de acordo com nota oficial distribuída pelo Itamaraty, os dois decidiram "expressar grave preocupação pela situação do Paraguai".
Segundo o porta-voz do Itamaraty, Marcos Galvão, ambos concordaram em fazer um apelo a todos os paraguaios, em especial às lideranças políticas e sociais, no sentido de que mantenham a calma e o comedimento de suas ações. De acordo com Galvão, na conversa foi reiterada ainda a necessidade de serem respeitados os princípios constitucionais e a ordem democrática.


