FHC afirma que não tem 'elementos suficientes' para julgar Campelo
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segunda-feira, 14 de junho de 1999
Por Liliana Enriqueta Lavoratti e Denise Neumann (enviadas especiais) 
Assunção, 15 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, em Assunção, no Paraguai, que não possui "elementos suficientes" para julgar as acusações feitas contra o diretor-geral da Polícia Federal (PF), João Batista Campelo.
"No momento em que tiver elementos - e até agora não chegou para mim nenhum, nenhum - eu vou tomar uma decisão com a maior tranquilidade; não me peçam para prejulgar nada", afirmou o presidente, durante entrevista no encerramento da 16ª Cúpula dos Presidentes do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul).
FHC deixou entender que poderá afastar Campelo se as acusações procederem. "Se a Casa Militar possuísse essas informações e não me tivesse passado, isso está errado; se isso for verdadeiro, os destinos estão traçados", afirmou o presidente ao ser questionado se a manutenção de Campelo no cargo não é incompatível com um dos princípios fundamentais do Mercosul - o fortalecimento da democracia nos quatro países-membros, que, além do Brasil, são Argentina, Uruguai e Paraguai.
O presidente ressaltou que é patrimônio da vida dele agir de forma consistente em termos de democracia e direitos humanos. "Sempre lutei pela democracia; porque o presidente sempre lutou pela democracia e foi vítima, ele não pratica arbítrio", enfatizou FHC. Ele acrescentou ainda que "existe um estado de direito e um estado de direito não é um estado de acusação". "É um estado em que há acusação, defesa e julgamento", afirmou. Fernando Henrique acrescentou que, na cultura democrática, "há argumentos e contra-argumentos".
Fernando Henrique, que antecipou a volta ao Brasil em duas horas, não quis comentar a briga entre dois caciques da base de sustentação no Congresso - os presidentes da Casa, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Perguntado sobre se a troca de acusações entre os dois foi o motivo da volta antecipada a Brasília, ele limitou-se a dizer que voltaria para os Palácios do Planalto e da Alvorada despreocupado com outras questões, que não as "comuns ainda por resolver no Brasil".
"Se ficasse preocupado com coisas que surgem aqui e ali e que não são da esfera do Executivo, passaria os meus dias tão aflito quanto vocês jornalistas costumam passar", afirmou o presidente. Para poder viajar a Assunção, FHC transferiu o cargo hoje de manhã a Temer. Até ontem (14), a presença dele na cúpula do Mercosul estava programada para ser bem mais ampla. No entanto, FHC participou somente da reunião com os presidentes dos demais países do Mercosul e da entrevista coletiva, dispensando o almoço de confraternização, para embarcar às 14 horas a Brasília, duas horas antes da programação anterior.


