FHC afirma que não cederá a pedidos de renegociação de dívidas
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Tânia Monteiro e Vânia Cristino 
Brasília, 13 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso deixou claro hoje, na solenidade de lançamento do programa da Caixa Econômica Federal (CEF) de reativação da construção civil no País, que não cederá aos pedidos de renegociação das dívidas dos governos estaduais em troca do apoio para o encaminhamento de nova emenda constitucional restabelecendo a contribuição dos inativos derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Nós não cederemos", frisou o presidente, alertando que, quando se assume um compromisso, tem de pagar.
"Nós cedemos em situações emergenciais, mas não no rumo", prosseguiu ele, explicando que "isso é essencial para que o povo não sofra as consequências das benesses concedidas pelo poder central, sob pressão política". Segundo o presidente, "quem paga a conta é sempre o povo, que deixa de ter, como é o caso da Caixa, um programa efetivo de habitação".
Fernando Henrique falava, no discurso, sobre as enormes dificuldades enfrentadas pela área federal, por causa das dívidas que os Estados possuem com a Caixa Econômica. Ele lembrou que o governo federal negociou estes contratos Estado por Estado. "Pode não pagar tudo o que deve, pode precisar de prazo, mas tem de pagar", afirmou, acentuando que não pagar é paralisar a Caixa Econômica. Em seguida, avisou que a mentalidade do Brasil mudou.
De acordo com o presidente, foi muito difícil convencer o País de que não era só preciso esvaziar os poderes dos grupos políticos em relação às instituições. Para ele, era preciso dar mais eficiência às instituições. "A qualidade de trabalho (da Caixa) não pode ser influenciada por interesses, por mais corretos que sejam, a partir de razões meramente políticas e nunca o foram em meu governo", afirmou o presidente, ao garantir que nunca houve interferência política em instituições financeiras no governo. "As decisões podem ter sido erradas, mas não foram em função de interesses menores", assegurou ele, justificando que, "quando houve ação política, foi para corrigir rumos". O presidente queixou-se ainda dos governadores que lançam, por exemplo, programas habitacionais nos Estados sem sequer citar que a maior parte dos recursos vem da área federal. "O governo federal satisfaz-se só em pagar", ironizou ele, ao comentar que esse fato faz com que pareça que a área federal não está aplicando recursos neste setor.


