FHC adverte base para prioridade à agenda do governo
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por César Felício e Isabel Braga 
Brasília, 06 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso fez hoje uma advertência à base governista no Congresso para que priorize a agenda do governo no Legislativo.
"O presidente está preocupado com o interesse do Brasil e espera que os congressistas em geral demonstrem a responsabilidade necessária de decidir em função dos interesses maiores do País", afirmou o porta-voz da Presidência, Georges Lamáziere. Desde o anúncio da composição do novo ministério, o governo federal tem encontrado dificuldades para atrair os aliados para a discussão das matérias consideradas prioritárias pelo presidente.
O envio de uma nova emenda constitucional restabelecendo o princípio da idade mínima na reforma previdenciária tornou-se inviável pelas resistências dos aliados, a começar do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), conseguiu monopolizar as atenções da Casa na volta do recesso parlamentar, ao apresentar um projeto de criação de um fundo de combate à pobreza, que pode comprometer as metas fiscais do governo. Já a Lei de Responsabilidade Fiscal começou a ser modificada na Câmara pelo relator da matéria, Pedro Novaes (PMDB-MA).
Lideranças governistas, como o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, senador Jáder Barbalho (PA), e o líder da legenda na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), ameaçaram, ao longo da semana, comportar-se de maneira independente ao governo. Até o PTB, menor partido da aliança governista, ameaçou ontem (05) formar um bloco com o PL e PST, de oposição a Fernando Henrique. Para deter a onda de insatisfações, o presidente acenou com uma descompressão na área social, se o ajuste fiscal for trazido para o primeiro plano. "As reformas são importantes do ponto de vista da economia, do ajuste fiscal e permitem liberar recursos para a área social", afirmou Lamaziére.
De acordo com o presidente, "até agora, nunca houve prejuízo nas votações importantes, e, se por acaso, ocorrer um mal-entendido ou declarações inoportunas, há de prevalecer o bom senso".


