FHC adverte assessores sobre briga por controle do combate à droga13/Mar, 21:31 Por Tânia Monteiro Brasília, 13 (AE) - Insatisfeito com a volta da disputa entre o Ministério da Justiça, comandado por José Carlos Dias, e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, comandado pelo general Alberto Cardoso, pelo controle do combate ao narcotráfico e da área de inteligência, o presidente Fernando Henrique Cardoso mandou um recado hoje, durante solenidade no Palácio do Planalto. "Deixem de lado as querelas burocráticas de uns e de outros", disse o presidente, pedindo, em seguida, que os dois setores atuem em conjunto "cada vez mais", no combate ao tráfico de drogas. A disputa pelo controle da Polícia Federal já causou a demissão do ex-ministro da Justiça Renan Calheiros. A manifestação do presidente foi feita durante solenidade de premiação de 18 alunos que produziram cartazes e vídeos contra o uso de drogas, tema central da disputa do Ministério da Justiça e do Gabinete de Segurança Institucional. O ministro da Justiça, José Carlos Dias, não compareceu à cerimônia. O general Alberto Cardoso, no entanto, ao defender a parceria entre todos os órgãos para combater o narcotráfico, além da participação da sociedade, referiu-se à Polícia Federal como "querida PF". Depois da solenidade, o general Cardoso evitou polemizar sobre as notícias que têm saído na imprensa de que, dentro do Programa Nacional de Segurança Pública, a Polícia Federal passaria para o controle do Gabinete de Segurança Institucional. "Eu me impus um silêncio absoluto sobre isso", disse o general explicando que, quando falou em "minha querida PF", se referia às relações entre ele e o diretor geral da PF, Agílio Monteiro, que são excelentes. "Sou um grande admirador do trabalho feito pela PF e pelo Agílio", prosseguiu. "É bom que os dois se entendam porque ambos são muito importantes para o governo", avisou um assessor do presidente. Em seu discurso, Fernando Henrique defendeu que "a ação do Gabinete de Segurança Institucional, do Ministério da Justiça, dos promotores públicos, do Ministério Público, da Justiça do Brasil, das polícias, tem que ser, cada vez mais, entrosada, tem que ser, cada vez mais, uma ação coordenada, em que se deixe lado as querelas burocráticas de uns e de outros". Em seguida, o presidente indagou: "O que eu devo fazer? O que é meu direito, o que é seu direito?" E acrescentou: "é nossa obrigação, não é nosso direito combater a droga". O presidente acentuou ainda que esse trabalho conjunto deve envolver não só os órgãos do governo, mas a sociedade. O general Alberto Cardoso confidenciou a interlocutores que não pretende alimentar discussões pela imprensa com a PF. Ele assegura que vai ficar "quieto" no seu canto, fazendo o seu trabalho e cumprindo as ordens e as missões que o presidente da República lhe deu. O general reconhece que essa nova polêmica é um problema, mas assegura que não vai ficar batendo cabeça com ninguém.

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