FHC admite que situação do Brasil não é boa
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Isabel Braga 
Corumbá, MS, 09 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso fez hoje um mea culpa e admitiu que a situação do Brasil não é boa. Comentando resultados de pesquisas de opinião divulgados recentemente que apontam queda na popularidade dele e avaliação negativa do plano de estabilização, o presidente afirmou não poder condenar os que afirmam que o Brasil está mal.
"Não posso reagir contra quem diz que está mal porque também acho", afirmou o presidente, após a solenidade de inaguração do gasoduto Bolívia-Brasil.
"Mas vai mudar, vamos melhorar, vou trabalhar para isso." Segundo o presidente, "por ser um ser humano e não ser insensível", é "óbvio que não ficou contente" com a queda da popularidade nas pesquisas. No discurso da solenidade, Fernando Henrique falou das dificuldades enfrentadas pelo Brasil e disse que, além de propor soluções, é função de um governante "não diminuir a dimensão dos obstáculos e dos desafios a serem enfrentados e alertar para sua gravidade". Mas lembrou que não se deve "exagerar" a dimensão dos problemas. "Devemos ser realistas sóbrios", defendeu. Para Fernando Henrique, "quanto mais sério o momento, maior a necessidade de evitar o simplismo e o catastrofismo". "É imprescindível que as eventuais nuvens de crise não encubram a visão das realidades do Brasil", ponderou o presidente. "Do Brasil que faz, do Brasil que avança
que vem de longe e tem horizonte de tempo que vai muito além das circunstâncias do presente", completou o presidente, afirmando que o gasoduto Bolívia-Brasil, inaugurado hoje, é um excelente exemplo deste Brasil ao qual ele se referiu.
Fernando Henrique ressaltou ser a preocupação sempre "fazer o que é certo e importante para o País", mesmo que produza reações desfavoráveis. "Se produz reação que não é favorável, eu não me preocupo, desde que esteja certa", argumentou, numa referência indireta à indicação do economista Armínio Fraga Neto para a presidência do Banco Central (BC).
"Se estiver errada, eu corrijo." O presidente descartou que a nomeação de Fraga Neto tenha sido uma imposição do Fundo Monetário Internacional e negou que o Brasil esteja "comungando" pela "cartilha do FMI".
"Não há cartilha do FMI", disse. "O Brasil tem seus rumos e, quando a gente pede apoio, é porque precisou num dado momento, mas não por imposição de ninguém", completou. Para Fernando Henrique, os brasileiros precisam "estar convencidos" de que o Brasil é "forte e tem uma economia real". Ele insistiu: "Temos compromisso com o nosso País e vamos trabalhar para depender cada vez menos da ajuda externa."
O presidente voltou a afirmar ser uma nação muito mais que o mercado financeiro e que o governo responde às pessoas e não ao mercado. "Quem responde ao mercado são as empresas; o governo toma em consideração o mercado, mas olha para as pessoas", argumentou. "A economia real é mais importante e especulação é sempre ruim, aqui ou na Conchinchina." Fernando Henrique não quis comentar a queda do real frente ao dólar, registrada na manhã de hoje. "O dólar sobe, desce, não é problema meu", comentou. "Depois que temos as reservas não tocadas, não é problema meu." Para o presidente, é preciso deixar de preocupar-se, a todo momento, com a cotação do real frente ao dólar. "Não é preciso ficar todo mundo olhando se desceu ou subiu porque isso só ajuda o especulador", ponderou. "Eu não gosto de especulação."


