Lisboa, 17 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou neste sábado (17) em Lisboa que o Brasil poderá participar de uma força militar para garantir a paz no Timor Leste. "Quero dizer que o Brasil está disposto a enviar uma missão policial-militar, se for o caso, sob o patrocínio das Nações Unidas, para assegurar a autodeterminação do povo timorense", disse o presidente.
O anúncio do compromisso brasileiro ocorreu num momento em que chegavam em Lisboa informações sobre massacres ocorridos em Dili
a capital de Timor Leste, por parte de milícias armadas favoráveis aos indonésios. No palácio presidencial comentava-se que tinham sido mortas mais de 100 pessoas e que dezenas de casas de timorenses tinham sido queimadas.
O presidente qualificou a situação de massacre: "Somo minha voz para protestar contra os acontecimentos recentes em Timor Leste. Nos próximos dias, as delegações de Portugal e do Brasil nas Nações Unidas estarão trabalhando para evitar que haja novos massacres naquela região."
Para a próxima semana está marcada uma reunião entre Portugal e Indonésia que vai discutir o envio de tropas da ONU para o território.
Timor Leste, uma antiga colônia portuguesa, foi invadido pela Indonésia em 1975 e anexado a seu território um ano depois. Nos últimos 24 anos, foi massacrado um terço da população timorense - atualmente cerca de 600.000 pessoas.
Os massacres ocorreram no fim do prazo dado por uma milícia armada pelos militares indonésios para que fossem colocadas bandeiras indonésias em todas as casas em Dili. Num panfleto distribuído pela cidade, as milícias ameaçavam queimar todas as casas que não tivessem a bandeira.
Ontem, o presidente português, Jorge Sampaio, pediu ao presidente indonésio, Iussuf Habibi, que faça parar os massacres. "Apelo ao presidente Habibi da Indonésia para que tudo faça para que a paz seja possível e para que o povo timorense seja poupado de mais guerra, mais perseguições e possa exprimir em tempo útil seu voto para que definir o seu futuro."
Numa linguagem mais dura, o primeiro-ministro português, Antônio Guterres, acusou a indonésia de ser a causadora das chacinas: "Responsabilizo inteiramente a Indonésia pelos acontecimentos em Timor Leste, porque Timor continua submetido à autoridade da Indonésia e foi a Indonésia que armou as milícias."

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