Brasília, 25 (AE) - Um dia depois de reafirmar que o ajuste fiscal não afetará os projetos sociais do governo, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse ao deputado Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP) que alguns programas podem ter sido afetados. "Eu disse ao presidente que estou votando até agora com o governo, mas que não dá para ficar assim se o governo insistir em cortar verba de creche e destruir a rede de proteção social que ele mesmo construiu", disse Medeiros. O presidente, então me desafiou a provar que o corte está ocorrendo e hoje eu trouxe os documentos relativos à esta creche em Juquitiba, uma das cidades mais pobres do País."
Sindicalista e deputado eleito pelo primeira vez por São Paulo, Medeiros apresentou uma carta da Associação Promocional Santo Antônio de Juquitiba, que mantém uma creche com 300 crianças que alega ter tido corte de quase 50% na verba de R$ 12 mil que recebia mensalmente do Ministério da Previdência Social. "Essa é a única creche da cidade: será que o FMI mandou cortar desse jeito?", atacou Medeiros. Ele "pegou carona" numa audiência que Fernando Henrique concedeu a sindicalistas do Mercosul para entregar a denúncia. Ele apresentou também levantamentos feitos pelos assessores de seu gabinete que mostra que o corte linear feito pelo governo no orçamento atingiu 34% nas verbas de apoio à criança carente, 43% nas verbas dos idosos e 35% nas verbas dos deficientes.
O presidente determinou ao secretário-executivo do Comunidade Solidária, Milton Seligmann, que verifique se os recursos federais são suficientes para fazer frente às despesas sociais com assistência social, creches, asilos e atendimento aos idosos. "O presidente quer saber se as verbas são suficientes"
disse, no final da tarde, o porta-voz da Presidência, Sergio Amaral. "Se houve corte vamos tomar as providências, as rubricas serão revistas, os cortes serão supridos." Amaral não confirmou que o presidente tenha admitido - como relatou Medeiros - os cortes nos programas de atendimento a idosos e crianças carentes. "O líder sindical trouxe ao presidente suas preocupações e o presidente determinou uma nova avaliação, mas ele acredita que (os programas) não tenham sido cortados."

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