Brasília, 19 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso adiou hoje, pela segunda vez, a viagem ao Equador, atendendo a um pedido do governo daquele país, que vem enfrentando graves conflitos internos, provocados pela política econômica do presidente Jamil Mahuad. Com o cancelamento da visita, marcada para sexta-feira (23) e sábado (24), a primeira viagem do presidente no período que está sendo visto como o início efetivo de seu segundo mandado será para o Peru. Ele desembarca amanhã (20) à noite em Lima, acompanhado dos ministros das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, e da Defesa, Élcio Alvares, e de empresários de vários setores. Os governadores do Acre, Jorge Viana (PT), e de Rondônia, José Bianco (PFL), foram convidados a integrar a comitiva, mas não confirmaram presença ao Itamaraty.
Na nota em que anunciou o adiamento da viagem ao Equador, o Itamaraty afirma que a iniciativa tem o propósito de permitir que "o presidente Jamil Mahuad continue a dar plena atenção às dificuldades conjunturais com que seu país vem se defrontando". "O governo brasileiro empresta sua solidariedade à nação e ao governo equatoriano e vê com satisfação as medidas já tomadas com vistas à normalização da situação daquele país irmão", acrescenta.
Os cerca de 60 empresários que integram a comitiva do presidente vão analisar no Peru novas oportunidades em matéria de comércio e investimentos. Fernando Henrique deve formalizar com seu colega peruano, Alberto Fujimori, outros projetos de integração física, além dos já existentes, de recuperação das rodovias 317, 364, 070 e 163, das obras de sinalização e balizamento do Rio Madeira, que integram o programa "Brasil em Ação". Também haverá a ampliação da cooperação amazônica e fronteiriça, inclusive no combate ao narcotráfico. Brasil e Peru detêm, respectivamente, a primeira e a segunda maior área amazônia. É esse o motivo do empenho demonstrado pelos governos dos dois países em ampliar a cooperação bilaterial na região fronteiriça.

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