Brasília, 27 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso acompanhava com preocupação o depoimento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Cláudio Mauch à CPI dos Bancos. Embora tivesse certeza de que Mauch não repetiria o "fiasco" do ex-presidente do BC, Francisco Lopes, que não prestou os esclarecimentos ao se negar a assinar o termo de compromisso de dizer a verdade, o governo estava apreensivo em relação ao que poderia acontecer hoje.
"O governo não fala mais sobre Francisco Lopes", avisou um assessor do presidente, ao elogiar a correção e a coragem de Mauch em ir à CPI. O presidente reiterou que todo agente público tem obrigação e o dever de dar explicações sobre os seus atos. O porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral, disse que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, já havia afirmado estar disposto a retornar ao Senado, caso houvesse necessidade, para prestar todo e qualquer esclarecimento necessário sobre o assunto.
O day after de Franscico Lopes não alterou a agenda do presidente, que pretende mostrar que apesar da CPI dos Bancos o País está trabalhando. Ele sancionou projeto de lei de dispõe sobre a política nacional de educação ambiental, recebeu artistas que vieram pedir ação do governo contra pirataria de CDs e dedicou parte do dia a reuniões com o presidente do México
Ernesto Zedillo, que se encontra em visita oficial ao país de três dias.
As negociações políticas, de acordo com assessores, ficaram a cargo do articulador, ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Amanhã (28), o presidente estará fora de Brasília e, mais uma vez tentará dar uma demonstração de que o País e o governo continuam funcionando normalmente.
No encontro de hoje, Fernando Henrique e Zedillo assinaram acordos e reiteraram o compromisso de apoiar as negociações da área de Livre Comércio das Américas (ALCA), com objetivo de eliminar progressivamente as barreiras ao comércio e ao investimento. Os dois conversaram sobre os problemas econômicos enfrentados por ambos e as soluções adotadas, assim como a necessidade de fortalecer a cooperação bilateral. O acordo comercial Brasil e México foi interrompido em 97. Amanhã (28) eles viajam para São Paulo, onde participam de um almoço com empresários brasileiros e mexicanos na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
Hoje, o governo anunciou o adiamento para o final de julho da viagem que faria ao Equador e Peru entre os dias 11 e 14 de maio. Fernando Henrique telefonou para os presidentes dos dois países alegando que não poderia se afastar por tantos dias do País. No dia 8 de maio o presidente estará em Washington e depois segue para Nova York, participando de reuniões com empresários e banqueiros norte-americanos.

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