Arquivo FolhaPreocupaçãoO episódio do massacre de Eldorado de Carajás, em 96, arranhou a imagem do governo FHC no exteriorPreocupado com o conflito entre trabalhadores sem terra e pistoleiros no Sul do Pará, que resultou na morte de dois líderes do MST anteontem, de Brasília o presidente Fernando Henrique Cardoso conversou, por telefone, com o governador Almir Gabriel (PSDB). Pediu ao tucano para se manter atento para que o conflito não tome proporções maiores. Fernando Henrique está acompanhando a situação e teme que as novas mortes acirrem ainda mais os ânimos na região.
Gabriel assegurou que, embora haja tensão na área, a situação está sob controle e a Polícia Militar age preventivamente. O governador do Pará classificou o episódio de disputa entre jagunços e sem-terra. O Planalto quer evitar surpresas e a repetição do massacre de Eldorado de Carajás. O episódio arranhou a imagem do governo FHC no exterior.
O Exército também está acompanhando, à distância, o conflito no Estado. O objetivo é evitar que haja demora na mobilização caso seja necessário destacar homens para garantir a paz na região.
O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raimundo Damasceno, cobrou ontem do governo uma política de reforma agrária ‘‘corajosa e criativa’’ para evitar atos de violência como a morte de mais dois sem-terra. Ontem, em Brasília, o religioso exigiu a apuração do crime e a punição dos responsáveis. Fusquinha e Doutor eram sobreviventes do massacre de Eldorado de Carajás. ‘‘Rechaçamos a violência para solução de qualquer conflito’’, protestou dom Damasceno, ao lamentar mais essas mortes.

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