FHC acerta diálogo com aliados
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Gerson Camarotti e Sônia Cristina Silva 
Brasília, 07 (AE) - Os presidentes do PSDB, PFL e PMDB estabeleceram hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso regras para uma melhor convivência dos partidos da base aliada - entre si e com o governo. O presidente articulou a realização de encontros mais frequentes para manter o comando da coordenação política e garantir a votação de temas essenciais ao governo, como as reformas jurídica e tributária e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele também anunciou a decisão de tomar novas medidas para dar eficiência à fiscalização do Banco Central e maior transparência ao mercado financeiro.
Durante o encontro, o último de uma série de conversas mantidas pelo presidente ao longo da semana para retomar o controle sobre a base, Fernando Henrique condenou a prática de alguns aliados que insistem em dizer que o governo quer pôr um limite na Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Financeiro. E cobrou o fim das divergências entre os três principais partidos da base de sustentação com o objetivo de retomar o diálogo e a unidade entre os governistas.
"É preciso admitir que as coisas não estavam bem entre os aliados, por isso o presidente nos chamou para promover um melhor entrosamento entre os partidos", comentou o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga.
O puxão de orelha ocorreu no café da manhã oferecido no Palácio da Alvorada para os presidentes do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL). "Não colabora com a imagem do governo dizer que o Planalto está fazendo o jogo do abafa em relação à CPI dos Bancos", advertiu Fernando Henrique. "Nunca pedi a ninguém para limitar os trabalhos da CPI", completou.
Apesar das cobranças, a conversa de quase duas horas com os políticos ocorreu em tom muito amistoso. O café da manhã acabou servindo para realinhar os aliados que, há mais de um mês, vinham se desentendendo publicamente. Os participantes do encontro saíram acenando bandeira branca e pregando a unidade. "O presidente pediu para que retomássemos o diálogo, e isso deverá ocorrer daqui para frente, porque é preciso o entendimento na base", avaliou Jáder. Na reunião, o senador aproveitou para rememorar as intrigas em que o PMDB foi envolvido.
"Não dá para ter um diálogo consistente se permanecer uma atitude preconceituosa dos aliados da base", argumentou, fazendo uma referência implícita à articulação feita por tucanos e pefelistas para tirar ministros peemedebistas do governo. O presidente do PFL também saiu otimista do encontro. "A partir de agora, começamos uma nova convivência na base, com mais conversa e diálogo", comemorava Bornhausen.
Pimenta da Veiga demonstrou confiança na unidade dos aliados. "Fui preparado para um café pequeno, mais saí do encontro entusiasmado", disse. Segundo ele, todos os participantes do café da manhã estavam com o "espírito desarmado".
O presidente, acrescentou Pimenta da Veiga, quer um canal permanente com a base aliada. "A proposta e a condução da conversa foi toda do presidente", esclareceu. "Haverá uma convivência maior, e tudo será melhor", previu o ministro das Comunicações.
Também satisfeito, o presidente do PSDB, Teotônio Vilela, deixou o Alvorada defendendo a boa relação entre os partidos com o govenro. "O importante é que haja diálogo permanente", afirmou.


