FHC aceita receber líderes do MST
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de abril de 1997
Agência Estado, de Brasília 
Dida Sampaio/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
CaminhadaSenador Eduardo Suplicy, na marcha para Brasília, disse que acredita em trégua entre MST e governoO presidente Fernando Henrique Cardoso só aceita receber as lideranças do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) desde que a conversa trate apenas sobre reforma agrária. Na audiência, que será na sexta-feira à tarde, o presidente não quer discutir o pedido feito pelo MST para demitir o ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann. As lideranças do movimento vão se encontrar, também na sexta, com o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
O pedido de audiência foi feito pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) há 10 dias, em São Paulo. O presidente Fernando Henrique explicou que estava disposto a receber o movimento, desde que tratassem apenas sobre a política fundiária do País, disse Suplicy. O senador conversou no mesmo dia com o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, que aceitou as ponderações do presidente. Nós levamos isso às lideranças, e todos concordaram, disse.
Segundo Suplicy, em nenhum momento foi discutida a situação do ministro Raul Jungmann dentro do MST. Eles não querem pedir a cabeça de ninguém, afirmou Suplicy. Na mesma audiência, as lideranças do MST esperam que o governo faça alguma nova proposta para a política fuindiária do País. Uma delas, segundo o senador, poderia ser a de aumentar a meta de assentamentos, que é de 104 mil.
Suplicy está otimista com a mobilização popular causada pela Marcha dos Sem-Terras. Na sua opinião, isso pode acabar em trégua entre o MST e o governo. Há mais de um mês, o próprio ministro Raul Jungmann negou-se a dar entrevista em um canal de televisão acompanhado por Stédile. Esta semana, em outra entrevista, ele discutiu reforma agrária com outro coordenador, Gilmar Mauro, demonstrando que a marcha foi uma forma criativa do MST para ter o apoio popular, disse Suplicy.
O próprio movimento, segundo o senador, também deixou a prática de invasão de prédios públicos para trás, procurando reconquistar a opinião pública de forma diferente.


