Brasília, 18 (AE) - A Assessoria de Imprensa do Palácio do Planalto disse que o diretor-geral da Polícia Federal, delegado João Batista Campelo, pediu demissão ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que aceitou o pedido, mas pediu ao delegado que permaneça no cargo até a próxima segunda-feira. A decisão de Campelo de deixar o posto foi comunicada por ele, primeiro, ao ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, com quem ele se encontrou hoje pela manhã e a quem entregou a carta com o pedido de demissão.
O general ligou imediatamente para o presidente Fernando Henrique, que se encontra no Rio de Janeiro, onde comemora hoje 68 anos. O presidente telefonou, em seguida, para o ministro da Justiça, Renan Calheiros, contrário à escolha de Campelo para a direção da PF. Ele queria no cargo a permanência do diretor interino, Wantuir Jacine, mas o presidente da República atendeu ao desejo do general Cardoso, que preferia o nome de Campelo. O delegado, no entanto, era acusado pelo professor e ex-padre José Magalhães Monteiro, de ter sido torturado nos anos 70, quando chefiava a Polícia Federal no Maranhão.
Esta é a íntegra da carta de demissão dirigida pelo diretor-geral do Departamento de Polícia Federal ao presidente Fernando Henrique Cardoso:
"Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil, Dr. Fernando Henrique Cardoso Agradeço a Vossa Excelência a confiança que me depositou ao nomear-me diretor-geral da Polícia Federal e, por intermédio desta, peço-lhe minha exoneração do cargo, compreendendo a grave situação política vivida no País neste momento. Cordiais saudações. Brasília, 18 de junho de 1999".

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