Brasília, 08 (AE) - Em discurso curto, mas enfático, escrito de próprio punho, o presidente Fernando Henrique Cardoso abriu a quinta reunião ministerial do segundo mandato tentando reafirmar a autoridade.
"Não cederei à tentação fácil da busca da autoridade por intermédio de medidas demagógicas que mais enganam do que superam a crise", afirmou o presidente, ao avisar que a determinação de recuperar crescimento com estabilidade é dele "e de mais ninguém" e que, portanto, cabe aos ministros cumprí-la. Fernando Henrique pregou a união no governo, disse aceitar o debate interno, sujeito às decisões dele, mas voltou a advertir que "discrepâncias públicas não serão admitidas".
O presidente Fernando Henrique repetiu várias vezes o verbo determinar, na primeira pessoa, em uma indicação de que tem as rédeas do comando do governo. Ele determinou que os ministros nomeassem, o mais rápido possível, os gerentes dos 365 programas que integram o Plano Plurianual de Investimentos (PPA)
rebatizado de Avança, Brasil, e que, no discurso de hoje, classificou como "carro-chefe" do governo, pedindo empenho deles para aprovação das propostas no Congresso.
Enquanto a imprensa deixava o Salão Oval, onde a reunião foi realizada, Fernando Henrique, tentando evitar que um novo ponto de atrito pudesse surgir com a nomeação dos gerentes, comunicou aos ministros que a autoridade deles será preservada. "Eu quero dizer que a autoridade dos ministros não será posta à margem", afirmou o presidente, explicando que os gerentes existirão apenas para que haja articulação entre os ministérios e as metas sejam cumpridas.
O presidente citou os ex-presidentes Juscelino Kubistcheck e Ernesto Geisel, ao falar sobre a necessidade coordenação das ações.
O presidente não fez qualquer referência direta ao ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Clóvis Carvalho, demitido depois da repercussão negativa trazida pelo discurso desenvolvimentista.
Limitou-se apenas a agradecer aos ministros que cooperaram com o PPA, mas deixaram o governo. Fernando Henrique disse ainda que o fato de ter chamado para compor o governo empresários líderes no setor produtivo é um "sinal claro de compromisso com o desenvolvimento".
Fernando Henrique comemorou os resultados positivos da redução das taxas de juros e observou que, para que as políticas traçadas continuem a ter êxito, "o governo e o País precisam ter e despertar confiança".
"Não me deixei abater nos piores momentos e não me faltará energia agora para prosseguir no rumo traçado", afirmou
reconhecendo "os sacrifícios do povo".
Fernando Henrique lamentou os aumentos de gasolina e de tarifas públicas, que garantiu ter "custado a concordar", em razão da desvalorização da moeda. Mostrou-se, ainda, "indignado" com o aumento abusivo de alguns preços dos remédios. O ministro da Saúde, José Serra, que não estava presente à reunião, alegando problemas pessoais, não ouviu a queixa do presidente.
O presidente começou o discurso destacando que a ação enérgica do governo e da sociedade está permitindo a superação da crise e que Brasil crescerá pelo menos 4% em 2000. "As nuvens tormentosas de janeiro e fevereiro que poderiam nos ter levado à perda de rumo estão se dissipando", comemorou. "Depois de meses de luta tenaz contra os interesses especulativos, descrença, pessimismo e mesmo oportunismo dos que confundem seus objetivos políticos com o interesse nacional, estamos prontos para retomar o caminho aberto pelo Plano Real: crescimento com estabilidade", completou.

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