Parintins, AM, 06 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso desembarca amanhã (07), por volta das 11h30 (horário de Brasília), na Ilha de Parintins (AM), onde vai abrir oficialmente o ano letivo de 2000 na escola Brandão de Amorim. Estão previstos discursos, uma apresentação folclórica do boi bumbá e uma visita ao barco-escola "Luz do Saber". O presidente deverá permanecer na cidade por pouco mais de duas horas.
Conhecida em todo País pelo folclore do boi-bumbá e dos bois Garantido e Caprichoso, o presidente Fernando Henrique Cardoso encontrará uma Parintins limpa, com postes pintados de verde e amarelo e diversos outdoors de saudação em sua primeira visita. Os preparativos para a chegada do presidente, com garis trabalhando no domingo, irritaram alguns moradores que cobraram o uso do dinheiro para a solução de problemas como o racionamento de energia elétrica e a falta de médicos.
O presidente da Câmara de Vereadores, que estava exercendo interinamente o cargo de prefeito até a semana passada
Francisco Ribeiro, conhecido como Chiquinho, se defendeu. Sem especificar o total de gastos nos preparativos, Chiquinho questiona: "O que é uma despesa de menos de 20 mil para a vinda de um presidente? Isso é dinheiro?". O próprio Ribeiro completou: "É uma honra receber o presidente e ele liberar para nós o que estamos precisando".
Os políticos da cidade entregarão ao presidente uma carta reivindicando melhorias para o município, como a liberação de verbas para a construção de uma usina de tratamento de lixo e para o problema da falta de energia.
Maquiagem - O vereador Messias Cursino (PDT) criticou a "maquiagem" em carta aberta à população e ganhou adeptos. "Deviam gastar esse dinheiro para contratar um pediatra, que a cidade não tem", cobrou Iracilda Souza, 50 anos, recepcionista de um hotel na cidade, afirmando que a limpeza é fachada e não esconde a falta de galerias pluviais e a água suja correndo pelas ruas.
Há cerca de um ano Parintins teve seu prefeito eleito cassado por corrupção. O atual prefeito, Heraldo Maia, assumiu e tentou resgatar o diálogo interrompido com o governador do Estado, Amazonino Mendes. Isso já rendeu à cidade algumas melhorias, como o asfaltamento de algumas ruas e um gerador novo para a usina termoelétrica. Mas, mesmo assim, os problemas de falta de energia persistem na cidade com mais de 80 mil habitantes, que vive basicamente da exploração agropecuária.

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