FH quer que tribunal internacional julgue casos como de Pinochet Da enviada especial T¶NIA MONTEIRO9/Mar, 18:57 Lisboa, 09 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje (09) que quem comete crimes contra os direitos humanos, como aqueles de que é acusado ex-presidente do Chile, general Augusto Pinochet, deve ser julgado por uma corte internacional. "Nós achamos que qualquer pessoa que cometeu crimes de direitos humanos, em tese, deve ser julgada pelo Tribunal Penal Internacional, que o Brasil apóia", declarou o presidente, ao ser indagado a respeito da situação do ex-ditador chileno, que acaba de regressar ao país, depois de libertado pelo governo inglês. Fernando Henrique desembarca amanhã em Santiago do Chile para participar das cerimônias de posse do novo presidente, o socialista Ricardo Lagos. "Eu tenho a convicção de que o Chile saberá encaminhar correta e democraticamente essa questão", afirmou o presidente, acrescentando que tem "muita confiança que o presidente Ricardo Lagos levará o Chile no rumo da democracia". Evitando citar o nome do ex-ditador, Fernando Henrique disse que a posição do governo brasileiro, sobre a situação de Pinochet, "foi expressa no momento oportuno". "A nossa posição é a mesma", observou, acrescentando que "a decisão é dos tribunais chilenos e o meu sentimento, já expressei tantas vezes, é de que sou absolutamente favorável à existência de um Tribunal Penal Internacional porque os crimes contra os direitos humanos não podem ser aceitos pela comunidade internacional, nos dias de hoje". Falando a respeito do tribunal internacional o presidente observou que "não existe regra que permita que um país julgue a infração cometida por outrém, de outro país, no outro país e que cabe a este outro país julgar". Fernando Henrique lembrou que segue para o Chile em companhia do primeiro-ministro português, António Guterres, e do escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na delegação estarão ainda representantes brasileiros de vários partidos e do governo. Para o presidente "uma questão internacional não deve ser limitada àqueles que estão apoiando o governo". "Estaremos lá no Chile para prestigiar a democracia chilena e na convicção de que ela será mantida e portanto essas questões serão dirimidas dentro da lei pelo Chile," disse. Colaborou Jair Rattner

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