Londres, 19 (AE) - O embaixador do Brasil em Londres, Rubens Barbosa, fez um resumo da reunião entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que aconteceu nesta tarde na capital inglesa. Um dos principais pontos do encontro foi a reunião entre representantes da União Européia (UE), a América Latina e o Caribe, programada para junho no Brasil. O primeiro-ministro manifestou intenção de participar do encontro, mas adiantou que a presença dele vai depender do andamento da crise em Kosovo (Iugoslávia). Fernando Henrique também pediu que a Grã-Bretanha dê apoio ao mandato para o início da negociação de uma área de livre comércio entre o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e a UE. As discussões só podem começar quando todos o países da UE aprovarem o mandato, mas a França tem resistido em apoiar a iniciativa porque não quer a inclusão do tema agricultura nas negociações, ao passo que, para o Mercosul, a inclusão é fundamental. Segundo Barbosa, na reunião com Tony Blair, Fernando Henrique afirmou que a expectativa do governo é de que a situação econômica do País até o fim do ano seja muito melhor do que estava sendo antecipado - o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) deve ser menor do que o previsto no início da crise de desvalorização do real. Fernando Henrique disse a Tony Blair que o Brasil dá total apoio à iniciativa britânica para a criação de uma nova arquitetura financeira nacional relacionada a fluxo de capitais do mercado financeiro. O primeiro-ministro convidou Fernando Henrique para participar, em junho, de uma reunião para discussão da Terceira Via, modelo político e econômico adotado pelo Partido Trabalhista britânico. O encontro entre os dois líderes, previsto para durar 30 minutos, durou 55. Antes da reunião com Tony Blair, Fernando Henrique encontrou-se com executivos de empresas multinacionais na Confederação Britânica das Indústrias (CBI). Segundo Barbosa, o presidente afirmou aos empresários que os analistas se equivocaram ao comparar os eventos do Brasil aos da ásia. O presidente afirmou que, no Brasil, as reformas e a solidez do sistema bancário permitiram que a situação estivesse em melhores condições do que os analistas acreditavam. Fernando Henrique reiterou o compromisso com o ajuste fiscal e garantiu que vai levar até o fim o programa de reformas. Os empresários mostraram interesse em saber como está a evolução do Mercosul. Fernando Henrique afirmou que o diálogo entre Brasil, Argentina Uruguai e Paraguai continua firme e que o País tem interesse em aprofundar as discussões no bloco. Os empresários também perguntaram sobre o restabelecimento das linhas de crédito. O presidente disse que houve recuperação das linhas de crédito em 95% em relação a 28 de fevereiro, sobretudo para exportadores. O governo acredita que, em breve, a recuperação será de 100%.

mockup