FH diz que não autorizou ninguém a negociar reajuste do mínimo para 180 reais9/Mar, 17:55 Por Tânia Monteiro ---------- Atenção, sr. editor de Política: inclui a retranca TETO/SALARIAL da Pauta Consolidada. ---------- Lisboa, 09 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu hoje que não autorizou ninguém a negociar, em nome do governo, um reajuste do salário mínimo que elevaria o valor para 180 reais. "Não tem sentido porque eu tenho de ver os números, que ainda não conheço", declarou ele ao desmentir informações que circularam no Brasil de que, em Portugal, a comitiva presidencial estaria falando que o governo poderia chegar ao mínimo de 180 reais, como quer o PFL. "Eu seria irresponsável se tivesse feito isso", afirmou o presidente, assegurando que o acordo que estabeleceu o teto salarial do funcionalismo público em R$ 11.500,00 ''está mantido''. Ele reconhece, no entanto, que há divisões de opiniões. "As condições desse teto serão definidas no Congresso." Para o presidente, o acordo firmado entre os presidentes dos três poderes estabeleceu um teto de R$ 11.500,00 , mas previu o acúmulo de uma aposentadoria, atendendo a uma ponderação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, que defendeu a necessidade de cumprimento de questões de direitos constitucionais. Mas, segundo o presidente, acúmulo de aposentadoria é uma questão que não diz respeito à demanda do Executivo. "Diz respeito à demanda do Legislativo e vejo que há divisões de opinião no Legislativo", comentou. Na opinião do presidente, quem for discutir o assunto deve entender que, "do ponto de vista de quem está fazendo um esforço imenso no Brasil para que não haja déficit, para que haja ajuste fiscal, quanto menos acumulações, melhor". "O acordo é esse e não há motivo para implodir nada", avisou o presidente, depois de insistir que, no caso do Executivo, não haverá alteração alguma porque a única definição constitucional diz respeito ao vencimento do presidente da República, que não vai aumentar, e de mais ninguém. "O presidente não receberá esse aumento de vencimento enquanto não for possível dar uma definição melhor do salário mínimo e uma distribuição melhor de salário", sinalizou Fernando Henrique ao lembrar que fez isso uma vez em 1995 e que repetirá o gesto agora, sem elevar o próprio salário e nem os dos demais funcionários públicos. De acordo com o presidente, no que diz respeito ao Legislativo, ele é que tem de definir, dentro desse teto de R$ 11.500,00, quanto deseja estabelecer. "Está havendo uma confusão no Brasil sobre o que é teto e o que é aumento de salário", advertiu. "Teto é teto, é o salário máximo a ser percebido, e o salário máximo que concordamos foi de R$ 11.500 00", disse ele, acentuando que "teto não é aumento para todo mundo, é teto". O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), afirmou hoje, que mesmo "o teto duplex", que permite acumular aposentadoria e dobrar o valor para R$ 23 mil, "é melhor do que nada". "São poucas pessoas que recebem isso", observou ele, ao justificar que a opinião pública não consegue aceitar que alguns ganhem mais do que o teto. A maior pressão para o teto duplex é do Congresso, onde 140 dos 536 deputados recebem outras aposentadorias e ganham acima do teto. Fernando Henrique voltou a dizer que só dará o aumento possível para o mínimo. "O governo só pode agir com responsabilidade visando, portanto, ao valor máximo possível que não prejudique nem o emprego, nem volte a inflação, nem leve a um déficit insuportável da Previdência", ponderou. "Quanto a isso, só muitas análises podem dizer", prosseguiu ele indagando que, se for por palpite, por que 180 reais? Por essa análise, na opinião dele, ''não tem sentido, pode ser mais, pode ser menos''. A questão, nessa altura, é de busca das fontes capazes de, sem prejudicar o emprego, a inflação e o déficit , dar um salário melhor.

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