Brasília, 23 (AE) - A necessidade de desvincular a instituição Exército das atribuições que estavam sob o comando do Ministério da Casa Militar foi um dos principais motivos da criação no novo Gabinete de Segurança Institucional. O aumento de atribuições do Gabinete Militar, que passou a cuidar de narcotráfico e inteligência, provocou uma exposição excessiva do ministro-chefe, general Alberto Cardoso, e a consequente vinculação de todas essas questões que não têm relação com as Forças Armadas à figura de um general do Exército.
A criação do Ministério da Defesa e a natural transformação dos Ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica em comandos militares também criou uma situação delicada. Alberto Cardoso, embora fosse um general "três-estrelas", foi o único a permanecer como ministro, enquanto os ex-ministros militares, oficiais-generais "quatro- estrelas", hierarquicamente superiores a ele, perderam esse status. No início do ano, o presidente Fernando Henrique Cardoso tirou o status de ministro-chefe do Ministério da Casa Militar, mas se viu obrigado a devolvê-lo. Com isso, evitou que o general fosse obrigado a se submeter à Justiça Comum, em acusações de envolvimento com questões relacionadas à escuta no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante o processo de privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).
Por isso, tanto o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, quanto Alberto Cardoso, ao explicar a mudança, insistiram que ela foi necessária por questões institucionais. A solução, então, foi transformar a função em um cargo de natureza civil, eliminando o caráter militar. A única função militar hoje desenvolvida por Alberto Cardoso é a reponsabilidade com a segurança pessoal do presidente e preparação das viagens dele. As outras missões do ex-Gabinete Militar - inteligência e combate às drogas - são consideradas eminentemente civis.
Em junho, quando o Exército saiu em defesa de Alberto Cardoso, distribuindo uma nota dirigida ao público interno, começou a ser desenvolvida essa idéia de desvincular o Gabinete Militar das Forças Armadas. A nota foi divulgada em 6 de junho, uma semana depois de serem veiculadas notícias de que o telefone residencial do general havia sido grampeado e que teriam sido obtidas nas fitas gravações sobre a escuta no BNDES.

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