FH anuncia reforma universitária
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que fará reformas no ensino superior, inclusive revendo a autonomia universitária, nos moldes da revolução branca que ele disse estar realizando no ensino básico. Chegará o tempo (das universidades), afirmou FHC, anunciando a criação de uma comissão de alto nível para repensar muita coisa. Não fixou prazos ou datas nem deu opiniões.
FHC disse que o governo federal, embora não tenha obrigações diretas com o ensino básico - tarefa dos municípios -, optou por priorizá-lo em vez de centrar forças no ensino superior. Quando se está dirigindo um país, um país cheio de lacunas, é preciso saber onde é que você vai colocar o esforço maior, disse FHC, durante seminário internacional em comemoração dos dois anos da TV Escola.
Segundo FHC, o governo dele dedicou-se a refazer os fundamentos da educação no Brasil começando por onde tem que começar, que é o ciclo básico. O governo federal tem a responsabilidade da definição das políticas, do estímulo, do repasse dos recursos, afirmou. FHC disse que fez isso por coerência com a formação dele, uma vez que é discípulo e foi companheiro de educadores que insistiam na redução do analfabetismo e na escolarização básica como questões-chave do Brasil. Citou Florestan Fernandes, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Antônio Cândido e Lourenço Filho.
Mas e a universidade? Quem não sabe que a universidade está cheia de problemas?, questionou FHC, respondendo em seguida: Eu sei também, mas é preciso escolher. O presidente disse que a comissão de alto nível servirá para avaliar e redefinir o rumo das universidades, e será coordenada pelo Ministério da Educação.
As universidades vão precisar de outros tipos de reformas, inclusive de repensar o que se chama de autonomia, a questão da pesquisa e a questão do ensino. Repensar muita coisa, disse o presidente. Chegará o tempo, insistiu.
FHC disse que é muito ruim que o país não perceba que há boa fé, que há vontade de acertar na área da educação. Reafirmou que, apesar disso, erra-se muito. Todos nós, eu erro, todo mundo erra, mas há boa fé. O presidente disse que, por falta de informações corretas, muitas vezes o país fica vivendo só de discussões menores, que não ajudam. Pediu que as forças políticas se unam para levar adiante um país com esse porte, com essa potencialidade e com essa diferenciação. Em vez de querer nomear políticos, preocupem-se com as políticas e julguem as políticas. Isso é fundamental, afirmou o presidente. Segundo ele, é uma bobagem ficar discutindo o neoliberalismo e não-sei-quê, pois o país não é um mercado. Isto é um país, é uma nação de gente.Ed Ferreira/AESintoniaO ministro Paulo Renato de Souza (e), cochicha com o presidente Fernando Henrique, durante o Seminário Internacional Dois Anos da TV EscolaWilliam França
e Renata Giraldi
Agência Folha





