FGV vai elaborar índice de preços com expurgo
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 06 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas deve divulgar até março o primeiro índice de preços expurgado do País, segundo informou o diretor da instituição Antônio Porto Gonçalves. O objetivo será medir o núcleo da inflação excluindo do cálculo preços com alta volatilidade, como o de petróleo e dos produtos agrícolas. "É importante ter um indicador que apure o comportamento da inflação sem ruídos", afirmou. "Nosso trabalho pode servir de base para o próprio Banco Central."
Ele destacou a importância desse tipo de indicador para a economia brasileira. "Apurar o núcleo da inflação não era tão relevante há cinco, seis anos, quando a taxa girava em torno de 80% ao mês." "Nessa época, variações bruscas eram muito normais", explicou Porto Gonçalves, durante o seminário "Conjuntura Econômica".
O diretor não quis adiantar quais as variáveis que devem ser expurgadas pelos índices da fundação. "Ainda estamos estudando a metodologia a ser utilizada", afirmou. Ele lembrou que a maioria dos países que adota o sistema de metas de inflação, como o Brasil, exclui do cálculo variáveis muito voláteis. A Inglaterra, por exemplo, elimina itens como aluguéis e hipotecas, enquanto a Nova Zelândia expurga as oscilações nos preços de energia, como combustíveis e eletricidade.
O trabalho da FGV tem respaldo no governo. Em agosto, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, revelou durante um seminário na fundação que sua intenção é alterar nos próximos anos a forma de cálculo do índice usado como referência para o sistema de metas. Uma das mudanças seria substituir o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) por outra taxa que expurgue preços de maior volatilidade. O decreto de criou o sistema de metas prevê a possibilidade de alterações no índice a partir de 2002, quando serão traçadas metas para os três anos seguintes.


