Rio, 26 (AE) - Em fevereiro passado, 7,51% da População Economicamente Ativa (PEA) do País buscaram trabalho sem sucesso
revelou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora a taxa tenha ficado abaixo da registrada em janeiro (7,73%), foi a segunda maior para um mês de fevereiro desde 1983, quando o IBGE começou a fazer esta pesquisa - a mais alta se deu em fevereiro de 84, com 7,82% da PEA, enquanto em fevereiro de 98 ficou em 7,42%. Ainda segundo o IBGE, o rendimento médio real das pessoas ocupadas também caiu de forma significativa.
A técnica do IBGE Shyrlene Ramos de Souza, responsável pela pesquisa, confirmou que a tendência para o mercado de trabalho é a de taxas altas de desemprego, embora tenha destacado ser impossível fazer previsões sobre números. Ela disse que em março a tendência é de a taxa oscilar pouco, mas não quis arriscar uma projeção sobre o resultado - no ano passado, ao desemprego foi recorde histórico, com 8,18%.
"Pelo menos no primeiro semestre não podemos esperar uma reversão na tendência", assinalou ela, para quem, de qualquer forma, previsões de um pico de 14% de desemprego em algum mês deste ano são exageradas.
Ela ressaltou que os efeitos da desvalorização cambial de janeiro ainda não foram captados pelo IBGE. Eles até podem ter um impacto positivo em algumas áreas, já que produtos brasileiros que sofriam forte concorrência dos importados (como os têxteis, no Sul do País) terão mais mercado.
Contudo, ressalvou, o Brasil está sofrendo com as altas taxas de juros e consequente redução na atividade econômica, o que pode impedir uma melhoria perceptível nestes setores.
Ainda conforme Sghyrlene, não se pode analisar a situação do mercado apenas com base na taxa de desemprego. De acordo com ela, é indispensável observar o movimento das pessoas ocupadas e das desocupadas, para saber que pressões os postos de trabalho abertos estão sofrendo.
Em relação a janeiro, por exemplo, caiu em 0,5% o número de pessoas economicamente ativas e cresceu em 1,9% o número de pessoas não economicamente ativas, ou seja, fora do mercado de trabalho por diversas razões, inclusive por aposentadoria e simples desistência de buscar ocupação. Portanto, muita gente pode estar deixando de procurar traballho e, assim, não aparece na taxa de desemprego.
Estima-se que de janeiro para fevereiro deste ano tenham saído do mercado de trabalho aproximadamente 93 mil pessoas, das quais 41 mil trabalhavam e 52 mil não trabalhavam ou procuravam emprego. Estima-se ainda que de fevereiro do ano passado para fevereiro deste ano houve um acréscimo de 128 mil pessoas no mercado de trabalho, das quais 109 mil trabalhando e 18 mil procurando ocupação.
O IBGE faz a sua pesquisa de emprego em apenas seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Salvador e Belo Horizonte).
Em cinco delas, em fevereiro, apurou-se redução no número de pessoas trabalhando. Em Salvador, a queda situou-se em 2,2%; em Porto Alegre, em -1,5%; em Recife, em -0,9%; em Belo Horizonte, em -1,1%; e no Rio, em -0,2%.
Informalidade - Somente na Região Metropolitana de São Paulo houve variação positiva na quantidade de pessoas trabalhando, de de 0,6%. Aparentemente, isso se deveu ao mercado informal, tanto que de janeiro para fevereiro o número de trabalhadores com carteira caiu 0,93%, mas aumentou em 1,85% os sem carteira e em 2,96% os por conta própria.
No confronto com fevereiro do ano passado, o corte no contingente de trabalhdores com carteira chegou a 3,29% e o aumento dos sem carteira foi de 8,66%. Quanto aos conta própria, tiveram acréscimo de 6,28%.
Segundo Shyrlene, como em São Paulo o desemprego tem sido mais duro, é normal que também as pessoas recorram com maior intensidade ao mercado informal de trabalho.
Nas seis regiões metropolitanas, por setor de atividade, o contingente de pessoas trabalhando caiu 2,5% na indústria de transformação, reduziu-se em 1,2% no comércio e diminuiu 0,3% na construção civil. No setor de serviços houve variação positiva de 0,7%.
De janeiro para fevereiro, caiu em 2,9% o número de empregadores nessas regiões e o número de empregados com carteira assinada diminuiu 1,2%.
O IBGE apurou ainda que, de dezembro para janeiro, o rendimento médio das pessoas em termos reais - descontada a inflação - caiu 9,9% no caso dos ocupados.
Houve uma retração de 12,5% nos rendimentos dos empregados com carteira assinada, de -6% para os empregados sem carteira assinada e de -4,3% para os que trabalham por conta própria.Por Jô Galazi ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca corrige dado no primeiro parágrafo. Por favor, desconsidere a enviada anteriormente.

mockup