Curitiba - Cerca de 40% dos trabalhadores rurais do Paraná não têm casa própria ou não conseguem fazer melhorias em suas residências pela dificuldade de acesso a financiamentos habitacionais. A informação é da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), que promove, hoje e amanhã, manifestações em 16 estados brasileiros, reivindicando uma Política Nacional de Habitação Rural para beneficiar 100 mil agricultores por ano em todo o País. No Paraná, as mobilizações acontecem em Cascavel e São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória).
De acordo com o coordenador da Fetraf-Sul no Paraná, Neveraldo Oliboni, projetos para construção de 5,7 mil unidades, negociados com a Caixa Econômica Federal, com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) estão ''encalhados'', desde o ano passado. ''Toda a documentação dos agricultores já está lá, em Brasília, mas as contratações não foram feitas'', disse. Segundo ele, a negociação previa subsídio do governo federal de R$ 6 mil por unidade. Metade dos contratos beneficiariam agricultores da região Sul.
Na última segunda-feira, a Fetraf-Sul, segundo Oliboni, entregou a pauta de reivindicações da agricultura familiar ao governo do Estado, propondo a criação de um Programa Estadual de Habitação Rural, que transforme as ações da Companhia Paranaense de Habitação (Cohapar) em uma política permanente. Oliboni informou que existe um convênio com a Cohapar para construção de 1,1 mil unidades habitacionais. A Fetraf-Sul reivindicou outras 560 unidades.
Além da política de habitação, a Fetraf cobra do governo federal mudanças na Medida Provisória (MP) 410, que prevê várias alterações na forma de contratação de trabalho dos assalariados rurais e na legislação previdenciária. O aumento do tempo de serviço, contratos de curta duração e imposto sobre produtos são alguns dos problemas apontados pela entidade na medida criada pelo governo federal para regularizar a previdência rural.

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