Brasília - Resultados preliminares de exames em dois fetos com microcefalia revelam a infecção por zika vírus. Os testes foram feitos a partir da análise de líquido amniótico de dois bebês de Campina Grande, na Paraíba. O material foi coletado pela especialista em Medicina Fetal Adriana Melo e a análise foi feita no Laboratório da Fiocruz, do Rio. O resultado é o primeiro a indicar a relação entre o aumento de casos da microcefalia e a infecção da gestante pelo vírus. Até o momento, foram notificados 399 casos da doença em recém-nascidos de sete estados da região Nordeste. O maior número de casos foi registrado em Pernambuco (268), que conta com o acompanhamento de equipe do Ministério da Saúde desde 22 de outubro. Em seguida, estão os estados de Sergipe (44), Rio Grande do Norte (39), Paraíba (21), Piauí (10), Ceará (9) e Bahia (8).
O Ministério da Saúde admitiu a existência do exame e comunicou o resultado a um grupo interno, encarregado de acompanhar emergências sanitárias. Afirmou em nota não haver análises finalizadas e que qualquer conclusão é precipitada. "Todas as hipóteses serão minuciosamente avaliadas para não se incorrer em erro."
O aumento de microcefalia no Nordeste começou a ser notado em agosto. Em Pernambuco, o número de nascimentos contabilizados este ano é 15 vezes maior do que a média anual registrada entre 2010 e 2014, de nove casos. Exames preliminares feitos nas gestantes e nos bebês não indicou, até agora, uma forte relação entre a microcefalia e infecções que tradicionalmente provocam esse tipo de malformação, como toxoplasmose, citomegalovírus.
Pesquisadores começaram a levantar a hipótese de relação com o zika vírus diante dos relatos das gestantes. Boa parte delas informou ter apresentado febre baixa, coceiras e vermelhidão - sintomas clássicos de zika - nos primeiros meses de gravidez. Essas manifestações ocorreram justamente no período em que a região enfrentava epidemia por zika vírus.

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