Fetape pede rigor para apurar ataque a sem-terra
Agência Estado
Representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) foram ontem à Secretaria Estadual de Defesa Social pedir uma rigorosa apuração do ataque a sem-terra, sábado à tarde, no Engenho Mato Grosso, da Usina Central Barreiros, em Rio Formoso, na zona da mata sul. Dois agricultores foram baleados por homens armados, que destruíram o acampamento. Os sindicalistas conversaram com o secretário-adjunto de Defesa Social, Paulo Biasi, que prometeu acompanhar o caso.
Os trabalhadores afirmam que a ação foi comandada por Franz Hacker e José Hildo Hacker Filho, filhos do prefeito de Sirinháem, município próximo de Rio Formoso, José Hildo Hacker (PSDB). Hacker é apontado pela Fetape como o arrendatário do engenho. O prefeito negou que os filhos tenham participado da expulsão dos sem-terra e disse que o engenho está arrendado ao seu cunhado José Humberto de Araújo.
Hacker mostrou-se indignado com a reocupação da terra, que assegura ser produtiva. Hacker disse que seu nome foi envolvido devido a briga política que tem com o prefeito de Rio Formoso, José Paulo de Assis (PSB), ligado ao sindicalismo rural. Os trabalhadores haviam ocupado o engenho no dia 1º de maio e foram despejados, por ordem judicial, há duas semanas. Na sexta-feira, 142 sem-terra reocuparam a área. No sábado foram expulsos a bala e tiveram suas barracas, pertences e alimentos destruídos.
O diretor de política fundiária da Fetape, João Santos, mantém a acusação contra os filhos do prefeito e disse ser necessária uma ação forte da polícia para não estimular o uso de milícias pelos proprietários de terra. Franz e José Hildo Hacker Filho deverão ser ouvidos pela delegada de Rio Formoso, Sonia Maria Mousinho Ferreira.
Os dois trabalhadores baleados não correm risco de vida. Geraldo Marcelino dos Santos, 35 anos, casado, 8 filhos, levou um tiro no rosto e está internado no Hospital Getúlio Vargas, no Recife. Mário José da Silva, 22 anos, foi baleado na perna esquerda.
O superintendente regional do Incra, Roosevelt Gonçalves, disse que o órgão vai vistoriar, até o final do ano, 30 áreas a serem indicadas por todos os movimentos sociais pela terra.





