Lembranças e muita emoção. Pelo quarto ano consecutivo o Museu Histórico de Londrina foi palco de uma festa em homenagem aos pioneiros de Londrina. A confraternização ocorreu na tarde de anteontem, quando foram comemorados os 75 anos da chegada da primeira caravana da Companhia de Terras Norte do Paraná, chefiada pelo descendente de ingleses George Craig Smith. Esta caravana, composta por 12 pessoas, partiu de Ourinhos, interior de São Paulo, no dia 20 de agosto de 1.929 tendo como destino as terras roxas do Norte do Paraná.
Culto ecumênico, apresentações musicais com o Intermezzo Música de Câmara e o Grupo de Acordeons Evelina Grandis, e bênção final com partilha do pão e distribuição de vinho foram algumas das atrações. Os pioneiros falecidos foram homenageados com um minuto de silêncio. A confraternização faz parte das atividades que acompanham a exposição ''O Povo que fez e faz Londrina''. A exposição, inaugurada em maio, reúne cenários, fotos, documentos, mobiliários e textos históricos. O acervo foi emprestado das famílias de pioneiros e será devolvido após o término da mostra, no ano que vem.
Mais do que uma homenagem, a tarde festiva serviu como um incentivo ao reencontro dos pioneiros. Com uma disposição invejável, Waldomiro Val, 80 anos, lembrou que saiu de Araçatuba (SP) em 1933. Os pais trabalhavam nas lavouras de café, enquanto Val ia ''desbravando'' a cidade e fazendo novos amigos por meio dos serviços de engraxate e carregador de malas na rodoviária. ''Fui um dos primeiros alunos do Colégio Mãe de Deus'', recordou. O pioneiro rememorou os anos difíceis, mas alvissareiros de uma cidade que atraía levas de imigrantes. ''O progresso era diário; todos os dias caminhões de mudança estacionavam na cidade''.
A colega de turma de Valdomiro Val, a primeira dentista de Londrina, Severina Colabelli Alho, 88 anos, também marcou presença na Festa do Pioneiro. Severina mudou-se para Londrina logo que se formou em odontologia pela Universidade de São Paulo (USP). ''Por 12 anos mantive um consultório na Rua Pernambuco (Centro). Depois meu marido pediu para eu me afastar do trabalho para cuidar dele e dos filhos''.
O pioneiro mais antigo presente à comemoração, Kurt Jakowatz, 95 anos, recordou que chegou a cidade em 1929. ''Fui engenheiro da Cia de Terras Norte do Paraná e meu pai foi o primeiro relojoeiro da cidade'', lembrou. Dos primeiros anos da colonização, Jakowatz ressaltou que a Revolução de 30 trouxe como consequências para a cidade a falta de querosene para alimentar os lampiões e de sal, que tinha de ser trazido de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina).
A presidente da Sociedade Amigos do Museu Histórico de Londrina (SAM), Maria Lopes Kireeff, anunciou que um memorial do pioneiro será construído no pátio do Museu. Segundo Kireeff, em uma placa estarão os nomes de todos os pioneiros que nasceram ou vieram para Londrina até 31 de dezembro de 1939. Para que ninguém seja esquecido, Kireeff pede que as famílias cadastrem os pioneiros. O cadastro pode ser feito no Museu (Rua Benjamin Constant, 900), ou pelo telefone (43) 3323-0082.

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