Festa para Nossa Senhora recebe 155 mil católicos
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quinta-feira, 12 de outubro de 2006
Simone Menocchi<br> Agência Estado 
Aparecida, SP - A festa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, na Basílica Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), recebeu 155 mil católicos ontem. Às 7 horas, o pátio estava lotado de fiéis que chegavam de longe para rezar e ver a imagem original de Nossa Senhora, achada no Rio Paraíba do Sul, em 1717. Neste mesmo horário, quase não havia mais lugar no estacionamento do Santuário, que tem capacidade para cerca de 8 mil carros e ônibus.
A maioria dos romeiros que chegavam à basílica cumpria um ritual: assistia à missa, seguia para ver a imagem original, acendia uma vela e depois andava pela passarela. As compras de velas, terços e imagens também estavam na programação dos devotos.
Como faz há 30 anos, a aposentada Maria Antonieta de Paula, de 75 anos, estava na primeira fila da multidão de peregrinos, que tentava assistir à missa solene, das 10 horas, celebrada por dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida. Estou aqui para agradecer à vida toda proteção que tenho recebido. Carregando a bandeira do Brasil, Paula saiu de Osasco, na Grande São Paulo, na noite anterior e amanheceu na porta do Santuário para assistir à primeira missa, às 5h30. Assisti também à das oito e esta agora, dizia, cheia de fé.
A mesma fé e disposição moveu um grupo de 26 católicos da comunidade quilombola (descendentes de escravos refugiados em quilombo) de Campo Grande. Viajamos mais de 20 horas para estar aqui, agradecendo os milagres que Nossa Senhora tem feito em nossa vida, disse uma das coordenadoras, Mara Martins Anunciação, de 28 anos. A comunidade foi reconhecida pelo governo federal há três meses e atualmente luta para sobreviver.
Na passarela, de cerca de 300 metros, muitos se ajoelhavam para pagar promessas. Depois de oito anos de orações, meu marido deixou de ser alcoólatra e eu consegui um emprego. Tenho de estar de joelhos para agradecer, disse a doméstica Adriana dos Santos, de 29 anos.
Na Sala dos Milagres, a manicure Gláucia de Oliveira Lima, de 31 anos, segurava uma cabeça de cera e a vontade de chorar. Me emociono cada vez que venho aqui. Essa cabeça representa a recuperação de meu filho, que tinha hidrocefalia e hoje é saudável.
Para ver a imagem original, os fiéis enfrentavam uma fila desorganizada, por mais de uma hora. Vir pra Aparecida e não ver a santa, é como não ter vindo. Mesmo que demore, não tem problema, relevava a aposentada Maria Aparecida de Carvalho, de Itajubá (MG).
Com duas velas de 1,65 metro, a dona de casa Clara Almeida da Silva, de 68 anos, enfrentava o cansaço para conseguir fazer a oração, no meio da multidão. Tenho duas pontes de safena e mais de 70 pontos no corpo. Mesmo assim, não me incomodo de estar aqui. Aqui é a minha vida, estou feliz. De acordo com o Santuário Nacional de Aparecida, o número de fiéis ficou dentro da expectativa da basílica.
A missa das 10 horas foi a principal, das quatro celebrações de ontem e foi rezada pelo arcebispo da cidade, dom Raymundo. Antes da chegada da imagem da santa à basílica, romeiros vestidos com roupas marrons levavam vários objetos ao altar. Por último, três pescadores carregaram a imagem de Nossa Senhora até o centro da igreja.
A dupla sertaneja Gian e Giovani cantou as principais músicas e, no fim da celebração, uma chuva de papel prateado encantou os devotos. Não dá pra segurar, é muito emocionante, disse o líder comunitário Jorge de Paula, que estava pagando promessa pela cura de dois parentes.


