São Paulo, 17 (AE) - Gaviões da Fiel e Vai-Vai dividiram o primeiro lugar no carnaval de São Paulo. A vice-campeã paulista foi a Nenê de Vila Matilde. O resultado em São Paulo virou polêmica: o empate no primeiro lugar foi consequência da mudança repentina do regulamento. A festa da torcida da Vai-Vai começou no Anhembi, quando foi anunciada a quarta nota do quesito bateria. Pouco mais de um minuto depois, o 10 para a Gaviões fez vibrar os quase 3 mil torcedores da escola que estavam na arquibancada. As duas agremiações foram proclamadas campeãs do carnaval paulista com 299,5 pontos.
Durante a apuração, houve protestos de presidentes e diretores de escolas. "Trouxemos o Neguinho da Beija-Flor para puxar o samba e recebemos 8,5 em melodia", dizia um diretor da Mocidade Alegre. "Não há critério nenhum", reclamava Leandro de Itaquera. A X-9 Paulistana conquistou o terceiro lugar; a Leandro de Itaquera, o quarto; e a Acadêmicos de Tucuruvi, o quinto. Essas escolas, além da Tom Maior e da Morro da Casa Verde - que subiram para o Grupo Especial -, farão o desfile das campeãs no sábado.
Com o resultado, a Gaviões chegou ao segundo título. "Essa é uma resposta a todos que nos discriminaram", disse o presidente da escola, Douglas Deungaro. Os torcedores da escola, eufóricos com a vitória, derrubaram o alambrado do sambódromo e começaram a festa. Quem estava longe saiu correndo, até mesmo pela Marginal do Tietê, para participar da comemoração. Desfile - As duas campeãs oficiais do carnaval paulistano apresentaram desfiles com poucas semelhanças e um paradoxo: a Vai- Vai era apontada como favorita e a Gaviões da Fiel quase despontava como zebra, porque apesar do desfile técnico, havia atrasado a passagem e deveria ter perdido pontos. Um recurso na Liga garantiu a pontuação.
A comissão de frente da Vai-Vai era formada por homens com lentes de contato azuis, como figuras que remetiam aos cavaleiros do apocalipse. Suas botas eram cascos de cavalo estilizados. Nas mãos, um cajado com uma caveira na extremidade. As previsões do vidente Nostradamus foi o enredo desenvolvido pela escola. Carros com efeitos especiais, de luz, movimento e pirotecnia, foram ovacionados pela platéia. Um deles fazia chover papel picado e purpurina sobre a avenida.
A escola do Bexiga passou sem grandes atropelos. Não correu mais que as outras que, de um modo geral, sentiram a pressão do relógio e sambaram menos que poderiam. Os componentes cantaram e sambaram, mas o último jurado de evolução deu apenas a nota 8,5. As fantasias estavam de acordo com o enredo. Mesmo polêmica, a suástica nazista de uma ala estava dentro da história que o carnavalesco Chico Spinosa propôs a contar. Ainda assim, a agremiação teve uma nota 9,5 no quesito enredo. A bateria da Vai-Vai foi correta. Garantiu o 10 sem inovar, de forma simples. Garra - Última a desfilar, a Gaviões da Fiel e a lenda maranhense da busca por d. Sebastião, que contou como enredo, impressionaram mais pela empolgação dos componentes que pela grandiosidade do desfile. A qualidade das fantasias, porém, já se fez notar pela própria comissão de frente. Alguns dos carros alegóricos, porém, deixaram a desejar.
A entrada foi conturbada. O carro abre-alas teve de sofrer alguns reparos e há poucos minutos da entrada, o grupo de apoio ainda estava colando o nome da escola. Os destaques tiveram de ser postos em cima do carro quando estava na cabeceira da pista. Três deles acabaram ficando sem o costeiro de plumas.
Um dos diretores da escola, Carlos Tadeu Miranda, foi à coordenação alegar que o atraso na saída teria se dado por conta dos carros da escola anterior, Leandro de Itaquera, que não teriam deixado a dispersão. A escola lavrou uma ata na Liga para não perder pontos.

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