Por um fim de semana, o bucólico distrito de São Luiz (Zona Sul) experimenta o sabor de ser um lugar agitado. A praça da Igreja São Luiz Gonzaga fica cercada de carros, o gramado vira footing e o som alto anuncia que a festa só está começando no início da tarde de domingo. É o último dia da 18 Festa do Café e Frango, encerrada na noite de ontem com um tradicional espetáculo pirotécnico.
Os organizadores calculavam ontem que cerca de 20 mil pessoas passaram pela praça nos três dias - a abertura foi na noite de sexta-feira. A estimativa é que no almoço de ontem, as barracas serviriam pelo menos 1,2 mil pratos da culinária colonial. Por R$ 20, comia-se à vontade e com variedade - além do frango com polenta, havia opção de outras carnes, como boi ou porco.
Trinta barracas serviram de tudo, de churros a sorvete, de pastéis a doces caseiros. Duplas sertanejas da região ficaram encarregadas da trilha sonora. Na abertura da programação musical de ontem, a Orquestra de Viola Caipira encheu o ambiente com uma cultura enraizada o suficiente para suportar os modismos de cada geração.
Natural do distrito, Vera Luzia Rampazzo Delmonaco, da comissão organizadora, afirma que a festa é uma exceção no calendário da localidade, de 1,7 mil habitantes. ''As pessoas aqui são muito carentes de lazer. Muito mesmo. É uma oportunidade de diversão que os moradores aguardam durante todo o ano'', explica Vera.
O mineiro de Oliveira Fortes (Zona da Mata), Antonio Alves de Oliveira, que aparenta ter bem menos que os 87 anos de vida, era um dos mais animados no gramado enlameado da praça. Radicado no distrito há mais de cinco décadas, pai de 13 filhos, com as mãos calejadas pelo trabalho na roça que ele ainda nem pensa em abandonar, o sitiante não perde um minuto da festa.
''Venho desde a primeira. É bom pra distrair''. No resto do ano, o sitiante diz não ter muitas opções para se divertir além do futebol (ele é um dos mais fanáticos torcedores do São Luiz, time amador que disputa competições regionais).
Antonio ainda espera ver o dia em que o distrito tenha menos monotonia, com mais eventos e mais movimento na praça. Mas ele também não esquece como a vida melhorou na localidade, que completa 61 anos de fundação neste mês. ''A gente ia para Londrina e não sabia se voltava. Se chovesse e a estrada estivesse enlameada, o ônibus não saia da rodoviária. Tínhamos que esperar o tempo melhorar pra voltar pra casa'', lembra.
Para ele, a maior conquista foi a pavimentação da estrada para Londrina nos anos 1980.''Começou a ter mais ônibus e ficou mais fácil de resolver os problemas na cidade'', lembra.

mockup