Festa de revéillon para FHC terá decoração de costureiras da Rocinha
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quinta-feira, 30 de dezembro de 1999
Por Regina Terraz 
Rio, 30 (AE) - A festa mais importante do réveillon carioca, que contará com o presidente Fernando Henrique Cardoso e 500 ilustres convidados no Forte de Copacabana, terá um toque inusitado: está sendo ornamentada com toalhas, almofadas e enfeites confeccionados pelas costureiras da Favela da Rocinha, a maior da América Latina. A notícia de que teriam a responsabilidade de enfeitar a festa do presidente deixou as costureiras apreensivas e, ao mesmo tempo, esperançosas.
"Se fomos escolhidas para produzir este evento é porque nosso trabalho é bom", afirma, orgulhosa, a costureira Marta Moreira Mesquita, de 43 anos, presidente da Coperoca, Cooperativa de Artesãs e Costureiras da Rocinha. Durante quinze dias elas trabalharam sem parar num casarão de dois andares no topo do morro da favela. Ao todo, estão sendo fabricadas 60 almofadas, 23 toalhas de mesa e 60 metros de "nozinho", uma técnica artesanal que servirá para decorar as mesas do buffet. Todas as peças são em tons branco, azul e amarelo, com motivos de ondas, para completar a decoração baseada em desenhos marítimos.
As costureiras esperam que a repercussão de trabalhar para o presidente lhes traga benefícios futuros. Marta aproveita a oportunidade para mandar um recado a Fernando Henrique: "Espero que no ano 2000 ele aumente o salário da gente e nos dê melhores condições para trabalhar." Aproveita, também, para reivindicar ao prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), que abra um ponto-de-venda para que a cooperativa possa vender seus produtos.
Embora a cooperativa exista há 17 anos, ultimamente nenhuma das mulheres consegue tirar seu sustento desta atividade. "Sem uma loja para que o nosso trabalho possa ser vendido fica muito ruim", diz Marta. A Coperoca chegou a ter uma loja no Shopping Rio-Sul, um dos mais movimentados do Rio. Mas, por ser apenas um projeto, durou poucos meses e não chegou a se transformar num negócio fixo. "Acreditamos que este trabalho trará muitos outros pra gente", diz Marta.
Novidade - É a primeira vez que a prefeitura do Rio organiza uma festa tão grande como esta. Ao vistoriar as obras na quarta-feira, o prefeito Conde ficou tão empolgado que promete repetir o evento nas próximas comemorações do réveillon. "Essa festa será importante para a cidade, o nosso réveillon será o mais importante do Brasil, porque onde está o presidente é sempre a festa mais importante", gabou-se Conde.
O galpão, de 1.700 metros quadrados, é sustentado por uma estrutura tubular de ferro, montada em cima da casamata do Forte, local onde estão instalados os canhões. Sob a estrutura de ferro, uma plataforma de madeira forrada com carpete azul por onde vão circular os convidados. As laterais, de plástico transparentes, dão vista total para a praia de Copacabana, o Pão de Açúcar e Niterói. O teto é forrado por lona branca.
Somente esta construção custou R$ 500 mil, sob patrocínio da Embratel. Outros R$ 200 mil foram gastos com decoração, mobiliário e som, além do custo do buffet, que não foi divulgado. Quatro aparelhos de ar-condicionado foram instalados para que os participantes da festa possam desfrutar de um ambiente climatizado a 22.º C.
De acordo com Beatriz Miranda Jordão, responsável pela infra-estrutura da festa, a decoração será simples, com motivos marítimos, ondas e estrelas, em branco, azul e amarelo. As 20 mesas, de oito lugares cada, serão decoradas com minicoqueiros iluminados de um metro e meio cada. "Será uma decoração muito praiana, com as cores do Rio, do sol, do mar", explica Beatriz. A festa não terá música ao vivo, apenas som ambiente.
A ceia terá um menu tradicional. Como pratos principais serão servidos salada verde com vinagrete de ervas e salada de alho poró, broto de feijão e molho de pimenta rosa; tender, farofa de cerejas, peru desossado e recheado; purê de maçã e purê de castanha; bacalhau à Amarante, arroz com brócolis e ravioli recheado ao molho de funghi portini. De sobremesa, tortas de chocolate com pêra, de amêndoas e de nozes, tiramisú, sorvete de goiaba com queijo, mini-waffle e frutas tropicais. Para beber, vinho frisante, água, refrigerante e sucos.
O presidente e sua família devem chegar por volta das 23h30, de helipcótero. Ele será recebido por Conde e pelo governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT). Para a comodidade do presidente, foram instaladas duas salas íntimas: uma dentro do salão, com banheiro privativo e linha telefônica. Mas, se o presidente preferir, poderá usar também o salão nobre do Forte, próximo ao galpão.
Todos os demais convidados - 100 da Presidência da República, 200 da prefeitura e 200 do Comando Militar do Leste - sairão do Palácio da Cidade em ônibus e vans. Entre os convidados pelo prefeito estão o ministro da Fazenda, Pedro Malan, o presidente do BNDES, Andrea Calabi, o presidente da Petrobrás, Henry Phillippe Reichstul, o presidente da Eletrobrás
Firmino Sampaio Neto, o presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho e sua mulher, Lili Marinho, os embaixadores de Paris e Washington, entre outros políticos, artistas plásticos e arquitetos. As listas da Presidência e do Comando Militar do Leste não foram divulgadas.


