Festa de reveillon de FHC é marcada por incidentes
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sábado, 01 de janeiro de 2000
Por Regina Terraz e Rosa Costa 
Rio, 01 (AE) - A festa de reveillon oferecida ao presidente Fernando Henrique Cardoso no Forte de Copacabana foi marcada por vários incidentes, registrados antes e depois de sua chegada, às 11h40. O que mais preocupou sua segurança aconteceu depois da queima de fogos. À 0h35, houve corte de energia no salão onde estava o presidente e os cerca de 500 convidados.
Preocupados, os seguranças cercaram Fernando Henrique, que conversava, em pé, com algumas pessoas. Ele foi aconselhado a sair e juntou-se a sua família, numa mesa no salão. "Preciso ficar um pouco com a minha família", comentou o presidente. Nos sete minutos que ficou sem luz, a mesa do presidente foi iluminada pelo holofote da Radiobrás.
Os problemas prosseguiram. O celular do presidente ficou mudo e o mesmo aconteceu com os aparelhos dos convidados da festa. Logo que chegou ao Forte de Copacabana - de carro, em decorrência dos fortes ventos -, Fernando Henrique defendeu a punição dos militares que agrediram jornalistas que faziam a cobertura da festa. Apesar dos transtornos, o presidente, em sua mensagem durante a passagem de ano, desejou fé, trabalho e, sobretudo, desenvolvimento e segurança para todos os brasileiros. "É isso que qualquer cidadão digno deseja para o Brasil", disse.
De calça branca e camisa azul, o presidente assistiu à queima de fogos de uma varanda, acompanhado da primeira-dama Ruth Cardoso, do filho Paulo Henrique e a namorada Evangelina Sellis, do governador Anthony Garotinho e do prefeito Luiz Paulo Conde e respectivas mulheres. "Eu e Ruth assistimos às comemorações do bicentenário da Revolução Francesa, em Paris", lembrou Fernando Henrique. "Mais aqui dá de 10 a 0", comparou.
Os incidentes começaram por volta das 22 horas, quando ventos fortes e chuva provocaram a queda de parte da estrutura do galpão da festa, cenas que passararam a ser registradas pelos fotógrafos. Irritados, soldados do Exército, responsáveis pela segurança agrediram os jornalistas. Quem mais sofreu foi o repórter-fotográfico José Fernando Bezerra, do "Jornal do Brasil".
Ele foi espancado seguidas vezes, sobretudo pelo soldado identificado como Selsato. Os militares queriam impedir que os jornalistas documentassem não só a queda de parte da estrutura do galpão como a retirada, pelos bombeiros da Defesa Civil, de um painel que dava sustentação à sala reservada do presidente.
"Se eles fazem isso com repórteres, imagine o que não farão com o povo", criticou Garotinho. "São despreparados; o Exército está preparado para a guerra." O prefeito Luiz Paulo Conde também se indignou e garantiu que comunicaria o incidente ao comandante do Exército e a Fernando Henrique.
A fotógrafa Sheila Chagas, do grupo Abril, tentou defender Bezerra da agressão e foi insultada pelos soldados, que ainda a seguraram pelos pulsos e ameaçaram espancá-la. Pelo menos 40 jornalistas intervieram e também foram agredidos. Um soldado sacou uma pistola e apontou para o fotógrafo Ed Ferreira
da AGÊNCIA ESTADO. Um dos militares agrediu a jornalista Rosa Costa, também da AGÊNCIA ESTADO, alegando que ela o havia ferido com a caneta.
A presença do presidente à festa organizada pelas prefeitura do Rio, fez com que as Polícias Militar e Federal montassem um forte esquema de segurança para a entrada dos 500 convidados. Por volta das 19h30, a Polícia Federal promoveu uma varredura em toda a área para afastar a possibilidade de eventuais atentados.
Foram montados dois detectores de metais - um na entrada do forte e outro na porta do galpão onde foi realizada a festa. Os convidados considerados "não-vips" foram obrigados a passar por dois detectores e por uma revista manual, enquanto os "vips" se submeteram a apenas um detector de metais.
Constrangimento maior, porém, ocorreu com familiares de militares do Comando Militar do Leste, que, além de ser vetados no galpão reservado aos convidados especiais, foram acomodados em mesas de bar distribuídas por uma área ao ar livre em frente do local da festa.
O presidente e os convidados "vips", como ministros e políticos, foram os únicos com direito a usar os banheiros privativos, em número de quatro, dos quais um especialmente reservado para o presidente. Os demais banheiros (químicos), foram instalados embaixo do salão.
O salão oficial foi todo ornamentado com flores brancas e velas. A decoração do salão onde foi realizada a festa foi todo ambientado com cores branca, amarela e azul, num estilo bem tropical.
Vários ambientes com sofás e poltronas foram espalhados pelo local. No centro do galpão havia uma grande mesa de bufê. Os convidados puderam assistir também ao réveillon de outros pontos do planeta, através de duas televisões colocadas no centro do salão.
No teto, balões brancos e azuis completavam a decoração, além de muitas plantas tropicais. As organizadores do evento só pecaram em um detalhe: cada mesa era rodeada por 13 cadeiras, número considerado "de má sorte" na crença popular. Como entrada, foram servidos frios diversos, vários tipos de queijos e pães.
O galpão, de 1.700 metros quadrados, foi construído especialmente para a realização da festa e custou cerca de R$ 500 mil, valor que está sendo patrocinado pela Embratel. A vista foi privilegiada. O galpão, com uma varanda de 350 metros quadrados, foi totalmente voltado para o mar. De lá, foi possível ver toda a praia de Copacabana, o Pão de Açúcar e Niterói. Esse foi o lugar ideal do qual pôde ser vista toda a queima de fogos de Copacabana.
O salão foi montado em cima da casamata do Forte, onde foram instalados os canhões. Para sustentá-lo, foi construída uma estrutura tubular de ferro com peso total de 400 toneladas.


