São Paulo, 1 (AE) - A ferrovia transportará 30% de toda a carga do Brasil dentro de três anos. Esta é a previsão do presidente da Associação Nacional do Transporte Ferroviário (ANTF), Bernardo Figueiredo. Atualmente, o trem é responsável por 21% da carga transportada. A meta do modal até 2003 é, portanto, obter um crescimento real de 9%. De acordo com ele, a situação da ferrovia nacional começou a melhorar lentamente depois das privatizações, em 1997, e só a partir de agora o mercado nacional perceberá o impacto das mudanças. Figueiredo aposta que, se o PIB nacional crescer cerca de 4% este ano, o transporte ferroviário crescerá 15% em 2000.
Segundo os dados da ANTF, o modal ferroviário expandiu 7% de 98 para 99. Desde a entrega da malha da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) para a iniciativa privada, em 96, o transporte ferroviário nacional cresceu 24%. No primeiro ano de administração privada, nenhuma das concessionárias conseguiu cumprir a meta de produção (transporte por tonelada de carga) acertada com o governo federal. A produção ficou, em média, 10% abaixo da meta projetada, que foi baseada na produção estatal do ano de 93.
Para Figueiredo, os concessionários encontraram trilhos, vagões e a infra-estrutura geral em pior estado do que imaginavam. Com os investimentos, as malhas ferroviárias se recuperaram e passaram a ganhar o mercado perdido em anos de deterioração. Depois dessa fase de transição, as concessionárias alcançaram o objetivo de produção, crescendo 12%, em média, de 97 para 98 .
Ele afirmou ainda que a ferrovia está apenas recuperando a carga que, por natureza, pertence a ela, como grãos, minérios e produtos siderúrgicos. Em países continentais, o trem é o tipo de transporte mais barato para esses produtos. "Isso deverá ocorrer também no Brasil, pois as empresas só não utilizavam o trem por causa da situação precária da malha", acredita Figueiredo.
Fretes - Figueiredo acredita que o desenvolvimento da ferrovia vai regular o frete rodoviário, evitando uma explosão de preços se o PIB nacional expandir. O modal rodoviário transporta cerca de 60% de toda a carga nacional e atualmente está trabalhando com baixos fretes por causa da grande competição no setor e da baixa demanda provocada pela recessão econômica. Se a economia, a tendência é que a demanda por caminhões aumente e os fretes rodoviários subam. "Mas, se a ferrovia crescer junto com o modal rodoviário, ela permitirá uma situação estável e o equilíbrio no mercado", diz Figueiredo.
Carga geral - Segundo Figueiredo, ainda são tímidas as investidas da ferrovia no segmento de carga geral, isto é, das mercadorias de maior valor agregado, transportadas no Brasil por caminhões. "Até agora, o transporte ferroviário não 'tirou' carga dos caminhões", afirma ele. Em 96, segundo a ANTF, apenas 5% das mercadorias transportadas por trem era do setor de carga geral. A meta é dobrar essa capacidade até 2003.
Uma das iniciativas da ferrovia de ingressar em rotas tradicionais do caminhão foi da América Latina Logística (ALL), concessionária da antiga malha sul da RFFSA, que lançou uma rota ferroviária entre São Paulo e Buenos Aires (Argentina) para o transporte de contêineres. As viagens, que ocorriam uma vez por semana, passaram a acontecer três vezes por semana e serão diárias ainda neste trimestre, por causa do interesse de empresários do Mercosul.