Ferroviários param no Rio
Priscila Lambert
Agência Folha
Vanderlei Almeida/Agência FolhaEm vãoHomem espera o trem num subúrbio carioca: 400 mil pessoas deixaram de ser atendidasOs ferroviários da Flumitrens (Companhia Fluminense de Trens Urbanos), do Rio de Janeiro iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado em protesto pela privatização da empresa e por reposição salarial. Os manifestantes se reuniriam hoje em frente à Bolsa de Valores do Rio no horário do leilão. Mas no final do dia, o leilão foi transferido para o dia 19.
Segundo a Secretaria da Fazenda, o adiamento foi feito a pedido dos grupos que participariam do leilão, que alegaram dificuldades para levantar recursos para garantias.
Ontem, cerca de mil homens da PM foram chamados ao local da manifestação. O Sindicato dos Ferroviários e o Clube de Engenharia consideram o preço mínimo da concessão (R$ 28 milhões) irrisório. ‘‘O governo está entregando de mão beijada o patrimônio público para a iniciativa privada’’, diz Walmir de Lemos, presidente do sindicato. A categoria também reivindica reposição salarial de 15% referente a perdas acumuladas desde maio de 96.
Ontem nenhum trem circulou no Rio, afetando o transporte de quase 400 mil usuários. Apesar da paralisação, não foram registradas confusões. Segundo o sindicato, houve mais de 90% de adesão à greve. Já a Flumitrens disse que grande parte dos funcionários compareceu ao trabalho, mas foi impedida de exercer suas funções por membros do sindicato.
A Flumitrens entrou na Justiça ontem pela manhã com uma ação contra o movimento da categoria. A companhia pediu que a greve fosse considerada ilegal, com base na lei que determina que as paralisações de trabalhadores que prestam serviços essenciais à população devem ser comunicadas com 48 horas de antecedência.

mockup