Ferrovan demite 646 ferroviários
Bauru, SP, 25 (AE) - A Ferrovia Bandeirante S/A (Ferroban), sucessora da estatal Fepasa, está demitindo 646 funcionários que prestavam serviços às suas linhas do interior de São Paulo e sul de Minas. Os demitidos são funcionários de faixa salarial baixa ou pouco tempo de trabalho, cuja indenização não ultapassa os R$ 60 mil, informou hoje o Sindicato dos Ferroviários da Zona Paulista, sediado em Campinas. A assumir no lugar da estatal, a Ferroban encontrou a ferrovia com 3.000 empregados e, segundo o sindicato, além da atual lista de cortes outras deverão ser anunciadas em breve, já que o plano é enxugar o quadro e terceirizar os serviços.
Até 1994 os ferroviários da Fepasa tinham direito à estabilidade mas, diante do sucateamento da ferrovia, acabaram trocando a garantia de emprego pela cláusula indenizatória que estipula multa de 80% do Fundo de Garantia para todos os demitidos e ainda dá indenização de um salário trabalhado para os demitidos com 4 a 10 anos de emprego, dois salários para os de 10 a 20 anos e 2,5 salários para os com mais de 20 anos trabalhados.
Os demitidos deverão apresentar amanhã suas carteiras profissionais para a baixa e em dez dias comparecerão a Campinas
sede da empresa, para a homologação e o acerto de contas. Todas as informações foram prestadas pelo sindicato e pelos próprios funcionários demitidos, já que até o final da tarde de hoje a Ferroban, segundo sua assessoria de imprensa, ainda não havia se pronunciado.
A privatização das ferrovias está provocando o esvaziamento das regiões que tiveram seu crescimento sobre os trilhos. Bauru, que durante décadas foi sede administrativa da Noroeste e teve uma regional da Fepasa, hoje está reduzida a ponto de passagem, já que tanto a Ferroban como a Novoeste (sucessora da Noroeste) hoje são administrada pela holding Ferropasa, baseada em Campinas. A Ferroban, segundo funcionários
deverá manter na cidade apenas um escritório e aproximadamente cem trabalhadores operacionais, utilizando serviços da antiga Noroeste, já que ambas hoje pertencem ao mesmo grupo.
A privatização das ferrovias, iniciada em 1996, não trouxe até agora a revitalização esperada. As arrendatárias promoveram demissões em massa e suprimiram o trem de passageiros na maior parte dos trechos. Em alguns pontos, como em Jaú (SP) o sistema enfrenta problemas que levam as autoridades locais a até propor a interdição da linha que, com dormentes podres, colocam em risco de acidente as populações próximas.
"Está provado que as empresas só tem o lucro como meta e pouco se importam com a preservação do patrimônio e, muito menos, com a questão social" - disse hoje o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários de Bauru, Roque Ferreira, que cobra do governo fiscalização para as concessionárias cumprirem as metas acordadas durante a privatização.





