Ferro-velho clandestino usado como desmanche de carros roubados é interditado no Rio
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 06 (AE) - A Subsecretaria Operacional, ligada à Secretaria Estadual de Segurança do Rio, interditou hoje um ferro-velho clandestino que funcionava como ponto de desmanche de carros roubados, em Costa Barros, na zona oeste da cidade. Entre os 200 veículos apreendidos no depósito, que pertencia ao suboficial da Aeronáutica Alonso Guimarães Gouveia, quatro carros e uma moto eram roubados. A polícia também encontrou uma carabina calibre 12 milímetros. "Vamos acabar com essa atividade no Estado, que só serve de fachada para carros roubados", afirmou o subsecretário Marcos Reimão.
Segundo ele, há 700 depósitos clandestinos no Estado e mil regularizados. O setor emprega cerca de cinco mil pessoas. O ferro-velho interditado hoje funcionava no local havia sete anos e as peças e carros depenados estavam espalhados pelo acostamento da Estrada João Paulo. O proprietário foi preso por porte ilegal de armas, receptação de veículos roubados, eliminação de identificação, furto de energia e ocupação de logradouro público. "Infelizmente, ele deve pegar no máximo cinco anos de prisão", disse Reimão.
Leilão - O Departamento de Trânsito está estudando medidas jurídicas para proibir o leilão no Rio de carros emplacados em outros Estados. O presidente do departamento, Eduardo Chuay, tem um dossiê, feito por policiais fluminenses, com indícios de que carros considerados "perda total" pelas seguradoras em São Paulo estão servindo para regularizar veículos roubados no Rio. Os carros de São Paulo acidentados sem possibilidade de recuperação são enviados para o Rio, já que em São Paulo a legislação proíbe que sejam negociados. Esses veículos estão registrados no Detran-SP sob o rótulo "restrição administrativa".
O dissiê diz ainda que as seguradoras mandam os carros avariados para o Rio, onde são leiloados como automóveis recuperáveis. Procurada pela reportagem para falar sobre o assunto, a Federação Nacional de Seguros não respondeu. Os policiais concluíram que o carro leiloado tem placa e o registro do chassi retirados e "transplantados" para outro veículo de mesma marca, ano, modelo e cor, roubado no Rio. "Estamos estudando como esses carros passam na vistoria do Detran-RJ", disse o corregedor geral do órgão, tenente-coronel Carlos Fogaça
que investiga a operação.


