Ferreira escreverá a Lampreia protestando contra tratamento dado a empresários na reunião de Seattle
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Ribamar Oliveira 
Brasília, 14 (AE) - O presidente da Confederação Nacional das Indústrias, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP), informou hoje que vai encaminhar uma carta ao ministro das Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia, protestando contra o tratamento dispensado pelo governo brasileiro aos empresários que participaram da reunião de Seattle, nos Estados Unidos.
"A CNI teve que criar uma ONG (organização não-governamental) para participar do evento", queixou-se Moreira Ferreira, sem esconder a irritação.
Ele garantiu que muito antes da reunião de Seattle, que iria discutir o início da Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC), encaminhou ao Itamaraty um pedido para que os representantes dos industriais integrassem oficialmente a missão brasileira. A reivindicação não foi aceita e, segundo Moreira Ferreira, não restou outra alternativa aos empresários que constituir ONGs.
De acordo com o vice-presidente da CNI e membro de seu Conselho de Integração Internacional, Dagoberto de Lima Godói, as demais entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), também tiveram que apelarar para o mecanismo da ONG. "O Luis Furlan (diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) teve que fazer uma ONG às pressas, quando soube que os empresários ficariam de foram da delegação brasileira", disse Dagoberto Godói.
Na qualidade de representantes das ONGs, os empresários brasileiros ficaram longe do local das reuniões técnicas - "pelo menos 10 quilômetros" - e terminaram participando dos protestos promovidos pelas ONGs, que marcou a reunião de Seattle.
"Era uma coisa muito confusa, pois tinha gente protestando por motivos ecológicos, outros por razões protecionistas, outros por questões culturais", lembrou Dagoberto Godói.
A queixa do empresariado brasileiro é que em outras delegações os seus colegas tiveram boa acolhida. "Só queriamos participar das discussões da delegação brasileira", disse Moreira Ferreira. "A delegação da Argentina incluiu os empresários daquele país", acrescentou.
Na carta que vai encaminhar ao ministro Lampreia, o presidente da CNI pretende lembrar que sem a ajuda do empresariado o governo não conseguirá alcançar sua meta de exportar US$ 100 bilhões ao ano até 2002. "Como eles vão alcançar essa meta se não permitem que os empresários participem das discussões sobre o comércio internacional?", questionou.


