Rio, 12 (AE) - O governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (PSDB), disse hoje estar "magoado" com as negociações entre os presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso, e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), para a instalação da nova fábrica da Ford na Bahia. É a primeira manifestação pública sobre o assunto feita pelo governador capixaba, que estava negociando para a multinacional instalar a fábrica no Espírito Santo.
Ferreira afirmou, por intemédio da Assessoria de Imprensa, que estava confiante de que a fábrica iria para o Estado porque, além de oferecer os mesmos incentivos fiscais propostos pelo governo baiano, apresentava "melhores condições logísticas" por estar próximo do mercado consumidor do Sul e do Sudeste e oferecer uma ampla rede portuária com o objetivo de escoar a produção.
Segundo o governador, a autorização para a Ford escolher outro Estado está "nas mãos do presidente da República". Ferreira refere-se à possibilidade de Fernando Henrique vetar ou sancionar a lei que prorrogou o prazo do regime automotivo especial para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Pela Constituição, o presidente tem até o dia 21 para tomar uma decisão sobre a prorrogação, que foi aprovada pelo Congresso, pouco antes do recesso parlamentar, graças à mobilização de ACM. Acredita-se que Fernando Henrique deverá vetar parte da lei e editar, em seguida, uma nova medida provisória (MP) mais geral para garantir incentivos fiscais às montadoras e, ao mesmo tempo, fugir de qualquer tipo de sanção por parte da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A certeza de que a Ford iria para o Espírito Santo era tão grande que o governador capixaba mostrou à imprensa uma maquete de um dos três locais onde a empresa americana poderia ser instalada. Encabeçavam a lista para receber a fábrica três municípios: Linhares, Aracruz e Serra.
Segundo assessores do governador, os representantes da montadora demonstravam maior interesse por Linhares, principalmente por ser um dos 27 municípios da Região Norte do Estado que poderiam oferecer benefícios fiscais proporcionados pela Superintência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Aracruz chamou atenção por causa do porto, enquanto Serra despontou por causa da localização, na Região Metropolitana de Vitória, onde está o Porto de Tubarão.

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