Brasília, 03 (AE) - O secretário-geral da Presidência da República, ministro Aloysio Nunes Ferreira Filho, procurou demonstrar, no dia da posse, os dotes de conciliador, conversando na manhã de hoje, por uma hora, com o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP). Foi a primeira vez, desde o início do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que o presidente do PT compareceu ao Palácio do Planalto para uma audiência reservada.
"Convidei José Dirceu para vir até aqui porque é o primeiro de vários encontros com líderes de oposição com quem quero conversar; são conversas para evitar crispações (contrações espasmódicas) desnecessárias", disse o ministro. A intenção inicial de Ferreira era até mesmo contar com a presença de Dirceu na posse, o que o petista descartou. Depois do encontro, o presidente do PT, que se disse amigo de Ferreira "há 35 anos", procurou minimizar a reunião.
"Foi uma conversa absolutamente pessoal, sobre reminiscências da nossa militância na Ação Libertadora Nacional (ALN)", disse. Segundo Dirceu, Ferreira não é o único amigo que tem no ministério, e nem ele é o único oposicionista com quem o ministro tem relações. "O encontro não significou nada do ponto de vista político e não sei o que ele quis dizer com crispações", afirmou.
De acordo com Dirceu, "se o governo quiser iniciar um diálogo institucional com a oposição, é preciso lembrar que o PT tem os seus líderes na Câmara e no Senado". O presidente petista reconheceu, contudo, que a capacidade de diálogo de Ferreira é expressiva. "Dos coordenadores políticos que estão no Palácio do Planalto, Aloysio é que tem maior trânsito no Congresso por já estar em seu segundo mandato parlamentar", disse.
Não foi apenas o PT que Ferreira procurou atrair para a posse. O novo ministro também fez acenos a dissidentes da base governista, como o deputado Roberto Brant (PFL-MG), que há semanas vem pregando que o partido se comporte de maneira independente em relação ao governo.
"Eu estava decidido a me manter distante do Palácio do Planalto, mas o Aloysio insistiu muito para que eu viesse à posse", disse o deputado.
Brant aproveitou, contudo, para criticar o governo dentro do próprio Palácio, enquanto a posse transcorria. "A reeleição de Fernando Henrique foi um erro do qual todos nós devíamos nos penitenciar porque paralisou a administração", disse.

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