Um dia depois de receber pedido de audiência dos representantes do MST, o presidente Fernando Henrique Cardoso respondeu às críticas feitas pelo coordenador nacional do movimento, João Pedro Stédile, que condenou a descentralização do programa de reforma agrária. Ao defender o entrosamente entre governos federal, estadual e municipal para a solução dos problemas sociais, inclusive reforma agrária, o presidente disse que ‘‘não há outro caminho (a não ser o entrosamento), apesar das incompreensões (à proposta do governo) daqueles que são mais apaixonados por razões políticas, do que por questões sociais’’.
Para Fernando Henrique, não há como imaginar que a reforma agrária possa ser feita sem apoio dos Estados e municípios. As afirmações do presidente foram feitas em discurso no Palácio do Planalto, durante a solenidade de assinatura de convênios de garantia de renda mínima para manter toda criança na escola. Ele criticou o movimento sem citar o nome de Stédile, nem se referir ao MST. Ao final da cerimônia, ao ser indagado se iria ou não receber os líderes do MST, o presidente preferiu não responder.
Na opinião de FHC, a tese de descentralização e de entrosamento entre todas as esferas de poder ‘‘vale para todos os tipos de programas sociais’’, entre eles, a reforma agrária. ‘‘Não há possibilidade de um programa social efetivamente ser implementado sem entrosamento entre governos federal, estadual e municipal’’, observou.
O presidente explicou que a assinatura de convênios com os Estados, para descentralização da reforma agrária, não representa ‘‘a retirada de campo e da responsabilidade do governo federal’’.
Na semana passada, o governo assinou convênios com 20 Estados a fim de transferir para eles a responsabilidade da reforma agrária. Segundo fernando Henrique, não se pode pensar de maneira diferente em um País com o tamanho do Brasil, e com mais de 5.500 municípios. Para ele, as críticas à descentralização são infundadas, até porque o trabalho está sendo iniciado agora. Stédile havia classificado como ‘‘jogo de empurra’’ a descentralização da reforma agrária alegando que agora o governo federal diz que a questão está com o governo estadual e este devolve o problema com a desculpa que não tem dinheiro para executar os projetos.
O presidente afirmou, ainda, que não há mais no mundo de hoje organização estatal trabalhando sozinha, mesmo nos seus vários níveis. ‘‘O Estado, ressaltou, é insuficiente para dar conta da dinâmica e das necessidades da sociedade’’.

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