Brasília, 04 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que não há "nada de novo" no fato de ele visitar regiões e conversar com pessoas vítimas de enchentes. Por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazire, Fernando Henrique classificou a viagem que fez hoje às cidades dos Estados de São Paulo, Rio e Minas Gerais como "natural" e lembrou que já visitou áreas de seca e de enchentes anteriormente, citando a viagem que fez à cidade de Uruguaiana (RS), que também sofreu com as chuvas no passado.
A manifestação é uma resposta indireta às acusações feitas pelo governador mineiro, Itamar Franco, de que Fernando Henrique agiu de forma "provocativa, mesquinha e demagógica". O presidente evitou, entretanto, polemizar de forma direta com o governador. Quando os jornalistas indagaram sobre o adjetivo usado por Itamar para definir Fernando Henrique - "anfótero" (que reúne em si duas qualidades opostas) - o porta-voz limitou-se a responder: "o presidente não comentou".
Segundo Lamazire, o governador Itamar Franco foi comunicado da viagem de Fernando Henrique logo depois que a decisão foi tomada, na noite de ontem. "Ele (o governador Itamar) foi informado da viagem na véspera", disse Lamazire. O porta-voz afirmou que o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, ligou para o chefe da Casa Civil do governo mineiro, Henrique Hargreaves, assim como ligou para o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e os prefeitos das duas cidades que seriam visitadas.
Lamazire informou ainda que quando falou com Parente, Hargreaves anunciou sua intenção de sobrevoar a região hoje. "Mas parece que isso não possível em razão de dificuldades com transporte e pouso na área e ele avisou ao ministro Parente", comentou o porta-voz, lembrando que o governador Garotinho acompanhou o presidente na visita ao Rio. Sobre a liberação de R$ 5 milhões para as áreas inundadas, o porta-voz explicou que o presidente não estabeleceu cifras alegando que elas serão determinadas pelo Ministério da Integração Nacional, depois de uma avaliação detalhada dos estragos, pelo governo federal.
A verba de R$ 5 milhões, anunciada pelo ministro Fernando Bezerra na viagem, segundo Lamazire, "é uma primeira cifra para os primeiros gastos". O presidente acrescentou apenas que cabe aos Estados e municípios decretarem estado de calamidade pública para que essa verba possa ser liberada por meio de Medida Provisória.