São Paulo - Após 21 dias retido no IML, o corpo de Fernando Dutra Pinto, sequestrador de Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, foi enterrado ontem no cemitério Jardim das Flores, em Cotia (Grande São Paulo).
O corpo foi enterrado na quadra 1 rua 10 ímpar, jazigo 1113. Segundo a PM, 150 pessoas estiveram no velório.
Além de sequestrar Patrícia e mantê-la em cativeiro por sete dias, Dutra Pinto, 22 anos, manteve Silvio Santos refém em sua própria casa, no Morumbi, por sete horas.
Só se entregou depois de receber garantia de vida do governador Geraldo Alckmin.
Dutra Pinto morreu no dia 3 de janeiro, no ambulatório do CDP (Centro de Detenção Provisória), no Belém (zona leste de São Paulo). Ele morreu devido a uma infecção generalizada, causada por um ferimento profundo nas costas.
O corpo ficou retido para exames e retirada de amostras. Família e advogada do sequestrador suspeitavam que ele fora envenenado. Essa tese foi descartada pelos exames, mas testemunhas comprovaram que ele foi agredido e torturado na prisão.
Laudo conclusivo do IML (Instituto Médico Legal) sobre a causa da morte de Fernando Dutra Pinto aponta que o sequestrador foi vítima de uma infecção generalizada provocada por um ferimento infeccionado e não devidamente tratado nas costas. O ferimento de oito a dez centímetros de profundidade chegou a atingir a região do omoplata direito.
A infecção atingiu o pulmão de Dutra Pinto e causou uma broncopneumonia. O laudo final do IML deve ser apresentado hoje. Membros da Comissão Teotônio Vilela, que acompanham as investigações sobre a morte do sequestrador, tiveram acesso aos resultados, mas só vão se pronunciar após a divulgação oficial.
A conclusão do laudo coincide com o relato de um preso do Centro de Detenção Provisória do Belém, em São Paulo, de que Dutra Pinto foi torturado no local por carcereiros. Segundo o preso, o sequestrador era obrigado a tomar banho de água fria, por até cinco horas seguidas, durante a madrugada, e espancado.

mockup