Brasília, 17 (AE) - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), protestou hoje em plenário pela decisão do governo em priorizar a reforma política em prejuízo da reforma tributária. O senador disse que ficou "surpreso" com a afirmação do presidente Fernando Henrique Cardoso - na entrevista publicada domingo (14) no "Estado"- em que ele afirma não considerar a reforma tributária prioritária. "Preocupa-me que o presidente da República tenha mudado o rumo das prioridades estabelecidas tantas e tantas vezes à sociedade brasileira e aos empresários deste País", afirmou.
Para o senador, a atual estrutura tributária do País conduz ao desemprego, tira toda a capacidade competitiva do produto nacional no exterior e reduz a capacidade de competição internamente, "dentro do contexto de uma economia globalizada". Segundo ele, os empresários querem essa reforma, sobretudo para conseguir isonomia com os concorrentes. "Ou seja
para ampliar seu poder de competir lá fora e de gerar emprego e renda aqui dentro." "Isso só será possível se removendo os obstáculos do chamado custo Brasil."
O presidente da CNI explicou que a estrutura tributária nacional tem impostos cumulativos e tributos em cascata, num burocracia que induz muitas vezes à informalidade e à sonegação. "Sem tirar a importância que tem a reforma política, é necessário que se faça a reforma tributária", insistiu. "O setor produtivo brasileiro não está preocupado em reduzir carga tributária, mas em ter condições de competir." Ele argumentou que a situação política do País é boa, "mas que ficará mal", se o País não voltar a gerar emprego e renda.
Ele elogiou a decisão do partido dele de acolher a reforma tributária como uma das bandeiras de luta. Bezerra também criticou, em discurso, a reindexação na economia. Ele alegou que a medida significaria a destruição completa de um plano econômico que, "se não foi exitoso, tem aspectos extremamentes positicos". Na opinião do senador, reindexar a economia "seria destrui-la e levar o Brasil a um passado que ninguém quer de volta".

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