'Fernandinho Beira-Mar' reafirma acusações a policiais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Roberta Pennafort (especial para a AE) 
Rio, 24 (AE) - O traficante Luiz Fernando da Costa, o "Fernandinho Beira-Mar", voltou a acusar hoje os policiais Alexandre Campos Faria e Carlos Coelho Macedo, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) do Rio, e o agente federal Luís Benício Ramos Privat de praticar extorsões contra ele em troca de livrar a família de processos de envolvimento com o tráfico de drogas. Em entrevista à Rádio Central Brasileira de Notícias (CBN), "Fernandinho Beira-Mar" acusou a promotora da 3.ª Central de Inquéritos, Márcia Velasco, e o ex-corregedor de Polícia Civil Roberto Gomes de não apurar as denúncias feitas por ele.
Segundo "Fernandinho Beira-Mar", a promotora foi procurada por ele em 1999 e teve muito tempo para agir contra os policiais acusados. "Ela disse que não tem perseguição pessoal contra a minha família, mas, agora, estou acreditando que sim porque ela tem na mão uma fita em que eu comunico toda a extorsão, e não fez nada", afirmou o traficante. "Como ela pode me responder que ainda é preciso identificar as vozes nas gravações?"
Ele acusou ainda de extorsão o agente Celso Figueiró, da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais. "Fernandinho Beira-Mar" disse que a maior preocupação dele é a família. "Se eu fosse um político envolvido com drogas, minhas irmãs não teriam sido presas como foram." O traficante disse ainda que não atua internacionalmente e está sendo usado como bode-expiatório. "Eu sou pequenininho, vendo só um negocinho no Rio e Janeiro e me colocam como um dos grandes", defendeu-se. "Nunca mandei uma grama de cocaína para fora do Brasil."
Dizendo-se acuado, "Fernandinho Beira-Mar" afirmou que não vai mais denunciar policiais porque a família dele está correndo perigo de morte.
"Eu sou traficante, não sou caguete", disse o traficante. "Mas vou escrever um livro para mostrar a podridão da polícia, falar sobre os grupos que sequestram família de bandido e montam inquérito para tirar dinheiro." Os inspetores Ricardo Wilke e José Luiz Magalhães, que haviam sido acusados de extorsão por "Fernandinho Beira-Mar", foram inocentados pelo traficante, assim como ocorreu na gravação da conversa dele com a promotora.
Uma das namoradas dele, Alda Inês Oliveira, teria sido forçada a prestar depoimento no Ministério Público (MP) - no qual ela revelou esquemas de distribuição de drogas e lavagem de dinheiro - por ter se negado a ter relações sexuais com um policial. "Ele foi lá e sequestrou a garota porque eles sequestram mesmo, levam para a delegacia, colocam o que querem no papel e mandam assinar", disse "Fernandinho Beira-Mar". "Não foi só ela; a promotora sabe disso."
Quanto ao deputado federal que teria intercedido por ele para que a família dele fosse protegida das acusações feitas pela polícia, "Fernandinho Beira-Mar" continua não revelando a identidade dele. Ele disse que o deputado sabe que a família não tem envolvimento e, por isso, tentou a defender. "A gente se conhece há muitos anos, mas ele não é bandido, é um empresário bem sucedido e tem mais de 40 anos como político", afirmou.


