Fernández diz que setores ineficientes não serão protegidos do Brasil
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 09 (AE) - O ministro da Economia da Argentina, Roque Fernández, declarou hoje que o governo de seu país não evitará que "setores mais competitivos do Brasil concorram com setores argentinos que sejam ineficientes". O ministro também afirmou que não deve haver preocupação se "determinado produto do Brasil, fabricado de forma mais competitiva, provocar o desaparecimento de uma indústria determinada na Argentina".
O ministro disse ao jornal "Página 12" que se isso chegar a acontecer, "o consumidor argentino será favorecido pela compra de um produto mais barato". Fernández afirmou que o bem-estar do consumidor argentino aumentará na medida em que o país utilizar as vantagens comparativas. "Esse é o benefício do livre-comércio e da integração econômica", disse.
Fernández admitiu que será necessário dizer a certos produtores argentinos que precisarão mudar de atividade, já que "não podemos sacrificar o nível de consumo de nossa população para manter ineficiências do setor". De acordo com ele, "tentar manter um setor artificialmente é algo ruim para o empresariado, para a Argentina e para a Receita Federal". Fernández disse que apesar disso, quando for necessário, o governo aplicará medidas de salvaguarda "para evitar um dano transitório". Esse é o caso das medidas de salvaguarda que o país poderia aplicar contra a entrada de produtos brasileiros, mais baratos que os argentinos desde a desvalorização do real. Fernández destacou que essas medidas "nada têm a ver com a competitividade a longo prazo". O ministro considerou que a competitividade brasileira ficará mais alta com o real desvalorizado, mas que "não podemos fazer nada, a não ser melhorar nossa competitividade".
Sobre as saídas para a crise no principal sócio comercial da Argentina, o ministro disse que "a velocidade com a qual o Brasil sairá da crise dependerá da velocidade com a qual o Congresso sancionará as reformas estruturais". Fernández disse que esse é o trabalho principal a fazer, e que de nada adiantará se somente "mexer no tipo de câmbio, em sua fixação, flutuação, colocar uma banda ou projetar um programa de refinanciamento da dívida".
Apesar das declarações de Fernández, a sub-secretaria de Comércio Exterior anunciou que 1.200 produtos brasileiros precisarão de licenças prévias para entrar na Argentina. Entre os produtos encontram-se automóveis, móveis, têxteis e plásticos. A licença prévia consiste em uma tramitação maior tanto no ponto de partida da mercadoria, como na alfâdenga na fronteira, e que se não estiver bem preenchida pode implicar no impedimento da entrada dos produtos no país. No entanto, por ser um aumento da burocracia, não é considerada como uma restrição às importações.


