Fernández diz que economia argentina piora no 2º trimestre
Buenos Aires, 15 (AE-DOW JONES) - O ministro da Fazenda da Argentina, Roque Fernández, afirmou ao jornal argentino El Clarín que a economia argentina terá desempenho pior no segundo trimestre em relação ao primeiro.
Fernándes deu as declarações em Assunção, onde participa da reunião do Mercosul. Segundo dados oficiais, divulgados na semana passada, o PIB argentino caiu 3% entre janeiro e março.
"Tivemos um segundo trimestre no qual a taxa de crescimento do primeiro trimestre, ajustada sazonalmente, é ligeiramente inferior", disse o ministro. Ele não fez previsões sobre quando terminaria o recuo da atividade econômica.
O ministro reconheceu que serão criados menos postos de trabalho do que era esperado, mas não quis dar números do desemprego, por falta de dados. "Não tenho um estudo que confirme isso", disse a respeito de uma estimativa publicada pelo Clarín que indicou que o desemprego chegaria a 14,2%.
Porém, segundo o ministro, a situação do Mercosul está relativamente melhor, "não porque mudaram as condições recessivas que originaram a crise financeira no Brasil, mas porque os temores mútuos foram dissimulados por uma promessa de se chegar a uma convergência das economias, começando pela parte fiscal" diz o Clarín.
Segundo o jornal, Fernández "perdoou" o Brasil pela desvalorização do real. "Creio que se tivesse dependido do ministro Pedro Malan, ele a teria evitado. Não era sua vontade modificar a política econômica brasileira", disse Fernández.
De acordo com ele, essas situações "dependem de fatores externos", que os países nem sempre podem controlar. Ele admitiu que o governo argentino sabia desde o final do ano passado que o Brasil modificaria o câmbio.
"Falamos na ocasião com analistas e investidores que nos diziam que o Brasil ajustaria o real em 15%. A respeito disso, havia consenso inclusive com os organismos multilaterais." Mas "o que nos surpreendeu foi a magnitude da desvalorização".
Fernández contou ainda a sua versão do que aconteceu no final de maio, quando a Argentina sofreu um ataque especulativo. Segundo o Clarín, ele "perdoou" também o megainvestidor George Soros, a quem foi atribuída uma frase que provocou temores nos mercados: "o peso está sobrevalorizado".
Segundo o ministro, no dia em que Soros fez a declaração, ele havia estado reunido com Fernández durante a manhã e em nenhum momento houve uma indicação de que Soros sugerira a necessidade de desvalorizar a moeda argentina. "Além do mais, Soros fez o comentário depois que os mercados começaram a cair", afirmou Fernández.





